Entidades do setor de combustíveis alertam para risco de desabastecimento de diesel e cobram novas ações do governo federal.
Representantes de postos, distribuidoras, refinarias privadas e importadores divulgaram uma nota conjunta nesta sexta-feira (20) expressando preocupação com a possibilidade de falta de diesel no país. As entidades avaliam que o pacote de medidas anunciado pelo governo federal para conter a alta do combustível tem um impacto restrito no preço final pago pelo consumidor e pode, paradoxalmente, desorganizar toda a cadeia de suprimento do produto.
Embora reconheçam que a isenção de impostos federais e a subvenção de até R$ 30 bilhões destinada a produtores e importadores possam aliviar alguns custos, as associações argumentam que esses benefícios não se refletem integralmente nas bombas. Um dos pontos levantados é que os incentivos incidem sobre o diesel “A”, vendido às distribuidoras, enquanto o consumidor final adquire o diesel “B”, que contém 15% de biodiesel em sua composição.
A disparada do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, elevou o barril de cerca de US$ 60 no início do ano para perto de US$ 115. Essa escalada se reflete no Brasil, onde o preço médio do diesel já subiu de R$ 5,74 para R$ 7,22 em poucas semanas, segundo levantamento da TruckPag. Conforme informação divulgada pelo g1, as entidades do setor de combustíveis, incluindo Fecombustíveis, Sincopetro, Abicom, Refina Brasil, Sindicom e BrasilCom, reiteram a necessidade de ações mais eficazes para evitar a crise.
Impacto limitado e desorganização na cadeia
As entidades do setor de combustíveis apontam que o aumento de R$ 0,38 por litro no diesel “A”, anunciado pela Petrobras, deve resultar em uma alta de aproximadamente R$ 0,32 no diesel “B”. Elas também destacam que o diesel “A” tem sido negociado em leilões por valores entre R$ 1,80 e R$ 2 por litro, superando as próprias referências da estatal. Essa discrepância é um dos fatores que limitam o repasse integral dos benefícios ao consumidor.
Risco de falta de produto e consequências econômicas
Na visão do setor, se a Petrobras mantiver preços desalinhados em relação ao mercado internacional e não aumentar sua oferta, refinarias privadas e importadores podem ser levados a reduzir seus volumes. Essa retração na oferta eleva significativamente o **risco de desabastecimento de diesel** no país. Sendo o diesel o principal combustível para o transporte de cargas, um possível desabastecimento teria impactos severos nos fretes, no preço de alimentos, produtos industriais e diversos serviços.
Resistência ao corte de ICMS estadual
Em meio a essa conjuntura, o governo federal tentou envolver os estados em um esforço para reduzir o preço do diesel, propondo um corte no ICMS. No entanto, a ideia de zerar o imposto sobre o diesel enfrenta resistência por parte de muitos governadores. Eles argumentam que a medida resultaria em perda de arrecadação para os estados, sem a garantia de que essa redução será efetivamente repassada ao consumidor final, o que agrava ainda mais a incerteza sobre a estabilidade do fornecimento e o preço do diesel.