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Ataque ao Irã eleva risco global e pode pressionar preços do petróleo, criando efeitos mistos para o Brasil, Petrobras, inflação e mercados emergentes

O ataque ao Irã realizado pelos Estados Unidos no fim de semana reacendeu tensões no Oriente Médio e elevou o risco de volatilidade nos mercados globais, com impacto direto nos preços do petróleo e em ativos de risco.

No curto prazo, analistas apontam movimento de aversão ao risco e oscilações nas ações e criptomoedas, enquanto ativos como o ouro ganham destaque como proteção diante da incerteza.

O cenário traz efeitos mistos para o Brasil, entre possível aumento da arrecadação com petróleo e risco de pressão inflacionária por combustíveis, conforme informação divulgada pelo InfoMoney.

Impactos imediatos e comportamento dos mercados

Historicamente, choques geopolíticos geram queda inicial em ativos de risco, com impacto limitado ao longo de janelas de três a seis meses, porque, no fim das contas, o que define o valor das ações são os lucros das empresas. Ainda assim, o episódio atual abre espaço para correções mais fortes, dada a combinação de valuations esticados e sentimento mais cauteloso, segundo o time de research da XP.

Logo após os ataques, observou-se movimento de aversão que atingiu criptomoedas, por exemplo, o Bitcoin, que caiu forte logo após os ataques e depois se recuperou rapidamente. Bolsas do Oriente Médio chegaram a abrir em queda de 4% a 5%, mas fecharam com perdas menores, em torno de 1% a 2%.

A plataforma Polymarket mostra que cerca de dois terços dos apostadores projetam resolução do conflito já em março e mais de 70% até o fim de abril, o que reflete expectativa de desfecho relativamente rápido por parte de parte do mercado.

Petróleo, estreito de Ormuz e risco para oferta

O fator que mais pressiona os preços é o risco ao trânsito no estreito de Ormuz, uma artéria vital para o comércio de petróleo. O estreito de Ormuz concentra cerca de 20% da oferta global e 25% do comércio marítimo de petróleo, portanto qualquer risco ao trânsito na região pode ter impacto significativo em preços.

Além disso, a produção do Irã é de cerca de 3,5 milhões de barris/dia, pouco menos de 3,5% da oferta global, volume maior que o da Venezuela e próximo da capacidade ociosa da Opep. Se o bloqueio durar poucos dias, estoques globais tendem a absorver o choque, se durar semanas, o impacto pode incluir preços mais altos e risco de escassez pontual de petróleo e derivados em algumas regiões.

Para o mercado de petróleo, a XP alerta que o conflito cria um sistema caótico, no qual pequenas mudanças de trajetória política e militar podem levar a desfechos muito diferentes, desde uma rápida saída diplomática até escalada regional.

Efeitos específicos para o Brasil e para petroleiras

O Brasil é exportador líquido de petróleo, mas importador líquido de derivados, especialmente diesel e GLP. Isso significa que o país não fica imune, porque derivados podem ficar mais caros ou mais difíceis de encontrar se o fluxo na região seguir comprometido.

O petróleo tem peso relevante no Ibovespa, quase 13% do índice, incluindo a Petrobras, e no ETF de Brasil listado lá fora, EWZ. O Brasil produz perto de 4 milhões de barris/dia e o petróleo representa cerca de 15% da pauta de exportações.

O time macro da XP estima que cada US$ 10 de alta no barril melhora a arrecadação fiscal brasileira. Por outro lado, um petróleo mais caro e por mais tempo pode pressionar a inflação doméstica, especialmente se a Petrobras repassar o movimento às bombas, e complicar a trajetória prevista para cortes na Selic.

Em termos de empresas, a Petrobras tende a segurar parte da volatilidade, mas se o choque for prolongado será difícil não acompanhar a referência internacional. Produtoras independentes que vendem petróleo bruto, como PRIO, Brava Energia e PetroReconcavo, podem ser beneficiadas via geração de caixa mais forte.

Macroeconomia global, ouro e recomendações para investidores

Um choque prolongado de petróleo eleva a inflação via combustíveis, o que complica ciclos de política monetária, especialmente fora dos EUA, em países importadores de energia como Europa e Reino Unido. Nos EUA, apesar de autossuficiência relativa, a alta global ainda impacta preços de gasolina e derivados.

Ouro funciona como porto seguro em momentos de incerteza, beneficiado pelo questionamento parcial sobre o excepcionalismo dos EUA, pela perda de força do dólar e pelo aumento de incertezas geopolíticas e inflacionárias. Em 12 meses, o ouro já subiu fortemente em dólar, em 5 anos, mais do que triplicou, e a recomendação estrutural da XP é de exposição moderada a metais como diversificação e proteção.

Para investidores, a orientação do time da XP é não fazer movimentos extremos em momentos de estresse, manter carteira bem diversificada entre classes de ativos, regiões e moedas, focar em ativos de qualidade e usar a volatilidade como oportunidade para ajustes graduais, não para apostas heroicas.

Em choques geopolíticos há normalmente uma apreciação inicial do dólar como porto seguro, mas o impacto para o real pode ser limitado, porque o país é beneficiado por preços de commodities mais altos, o que melhora a balança comercial. A conclusão é que o choque atual aumenta a incerteza de curto prazo, mas se insere em tendência maior de reprecificação de risco geopolítico e mudança na ordem global.