Banco da Inglaterra avalia riscos da guerra no Irã para a inflação e mantém juros, alertando para possíveis aumentos “vigorosos” nos custos de empréstimos caso a escalada de preços se intensifique.
O Banco da Inglaterra decidiu manter sua taxa básica de juros em 3,75% nesta quinta-feira, em decisão unânime de seus nove membros, com exceção do economista-chefe Huw Pill, que defendia um aumento para 4,0%. A medida acompanha decisões semelhantes de outros grandes bancos centrais, como o Federal Reserve dos Estados Unidos e o Banco Central Europeu, que também optaram por manter suas taxas de juros.
A principal preocupação do comitê reside nos potenciais efeitos da guerra no Irã sobre a economia britânica, especialmente no que diz respeito à inflação. O banco central monitora de perto a situação no Oriente Médio, pois um conflito prolongado pode gerar “efeitos secundários relevantes”, como pressões por salários mais altos e repasse de custos para os consumidores, mesmo diante de um mercado de trabalho que demonstra sinais de enfraquecimento.
Em comunicado, o banco central britânico reiterou seu compromisso em “agir conforme necessário para garantir que a inflação ao consumidor permaneça no caminho certo para atingir a meta de 2% no médio prazo”, repetindo a linguagem utilizada na reunião de março. O Reino Unido é considerado particularmente vulnerável a choques nos preços da energia, devido à sua dependência do gás natural.
Cenários de Impacto da Guerra no Irã na Inflação
Diante da profunda incerteza sobre a duração e os desdobramentos econômicos da guerra no Irã, o Banco da Inglaterra optou por não divulgar uma previsão econômica detalhada. Em vez disso, apresentou três cenários distintos, focados nos preços da energia e em diferentes graus de efeitos secundários. Esses cenários visam ilustrar os potenciais caminhos da inflação e as respostas de política monetária.
Cenário Mais Prejudicial Pode Levar a Alta de 6,2% na Inflação
No Cenário C, considerado o mais adverso, com preços de energia elevados por um longo período, a inflação pode atingir um pico de 6,2%, o dobro da taxa mais recente divulgada. Nesse cenário, a inflação permaneceria acima da meta de 2% por até três anos, com base nas expectativas atuais do mercado. Caso este risco se concretize, o banco central afirmou que “provavelmente justificaria um forte aperto na política monetária”, indicando a possibilidade de aumentos “vigorosos” nos juros.
Cenários Alternativos Indicam Necessidade de Política Menos Restritiva
Em contrapartida, os cenários A e B sugerem a necessidade de uma “postura de política econômica menos restritiva”. Nesses casos, o aumento das taxas de juros de mercado observado desde o início da guerra já ajudaria a compensar as pressões inflacionárias. O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, atribui maior peso ao Cenário B, embora com “efeitos de segunda ordem ligeiramente reduzidos”, mas também considera o Cenário C como um risco relevante.
Divisão de Opiniões Dentro do Comitê do Banco da Inglaterra
A decisão de manter os juros em 3,75% reflete uma análise cuidadosa dos riscos e benefícios. Cerca de metade dos membros do comitê que votaram pela manutenção da taxa também expressaram preferência pelo Cenário B. Alguns membros, no entanto, podem preferir uma ação mais antecipada para evitar que a inflação se consolide em níveis elevados, enquanto outros preferem aguardar mais evidências concretas da materialização desses riscos, de acordo com o banco central.