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BC corta Selic para 14,50% e alerta para cautela global e inflação em alta

Banco Central reduz Selic para 14,50% e sinaliza cautela com cenário de incertezas

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tomou a decisão de cortar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,50% ao ano. Esta medida, a terceira do tipo em 2026, ocorre em um momento de apreensão global, marcada pela continuidade do conflito entre Estados Unidos e Irã, que eleva os preços do petróleo e gera incertezas sobre o futuro da economia mundial.

A expectativa majoritária do mercado financeiro se concretizou com a redução anunciada. No entanto, o Banco Central fez questão de ressaltar a necessidade de incorporar novas informações para definir os próximos passos da política monetária, indicando um tom de prudência diante do cenário complexo.

“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, declarou o BC em comunicado oficial, informando que a decisão foi unânime entre os membros do Copom.

Ambiente externo volátil exige atenção do Banco Central

O cenário internacional apresenta-se como um dos principais focos de preocupação para o Copom. A indefinição quanto à duração e aos desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio tem gerado reflexos significativos nas condições financeiras globais. Essa instabilidade exige uma postura cautelosa por parte das economias emergentes, em um contexto de crescente volatilidade nos preços de ativos e commodities.

Os impactos da guerra no aumento dos preços do petróleo são um fator de atenção especial, pois podem desencadear pressões inflacionárias adicionais no Brasil. O Banco Central monitora de perto como essas tensões globais podem afetar a cadeia de suprimentos e os custos de produção em diversos setores da economia.

Diante disso, o Comitê considera que a taxa de câmbio persistentemente depreciada é um dos riscos de alta para o cenário inflacionário, podendo intensificar os efeitos de segunda ordem das restrições de oferta de petróleo e seus derivados.

Cenário doméstico: inflação acelera e expectativas se distanciam da meta

No âmbito doméstico, os indicadores econômicos apontam para uma moderação no crescimento da atividade, conforme o esperado. Contudo, o mercado de trabalho tem demonstrado resiliência. Em contrapartida, os dados mais recentes revelam uma aceleração tanto da inflação cheia quanto de suas medidas subjacentes, afastando-se ainda mais da meta estabelecida pelo Banco Central.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027, coletadas na pesquisa Focus, permanecem acima da meta, situando-se em 4,9% e 4,0%, respectivamente. A projeção do Copom para o quarto trimestre de 2027, que representa o horizonte relevante para a política monetária, está em 3,5% no cenário de referência.

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, são considerados mais elevados que o usual. Entre os riscos de alta, destacam-se a desancoragem das expectativas de inflação por um período mais prolongado e uma maior resiliência na inflação de serviços. Por outro lado, os riscos de baixa incluem uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica e uma eventual queda nos preços das commodities.

Cautela com a política fiscal e monitoramento contínuo

O Banco Central também ressalta a importância de acompanhar os desdobramentos da política fiscal doméstica e seus impactos na política monetária e nos ativos financeiros. Essa vigilância reforça a postura de cautela em um cenário de crescente incerteza, especialmente com as expectativas de inflação desancoradas e projeções elevadas.

O Copom avalia que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista tem demonstrado sua eficácia na desaceleração da atividade econômica. Essa evidência abre espaço para ajustes no ritmo e na extensão da calibração da política monetária, a depender das novas informações que surgirem, sempre com o objetivo de assegurar a convergência da inflação para a meta.

A decisão de cortar a Selic para 14,50% ao ano é considerada compatível com a estratégia de convergência da inflação. Sem prejuízo do objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, a medida busca também suavizar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego, em um delicado equilíbrio de objetivos macroeconômicos.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Corrêa, Nilton José Schneider David e Paulo Picchetti.