Bitcoin oscila com tarifas, ações e tensão geopolítica, investidores buscam proteção em opções e fundos, analistas apontam suporte fraco e risco de queda profunda
O Bitcoin voltou a oscilar com força nesta segunda-feira, após cair mais de 5% durante a madrugada e tocar US$ 64 mil, antes de recuperar parte das perdas e retornar à faixa de US$ 66 mil.
O movimento aconteceu em meio à retomada das incertezas sobre tarifas nos Estados Unidos e à escalada das tensões envolvendo o Irã, com impacto também nos futuros do S&P 500 e no ouro, que subiu renovando máximas recentes acima de US$ 5.100.
A pressão no mercado levou operadores a buscar proteção em derivativos e a alimentar especulações após movimentações on‑chain de grandes volumes para exchanges, conforme informações divulgadas pelo Mercado Bitcoin, Deribit, CoinGlass e comunicados da Strategy.
Queda, recuperação e indicadores imediatos
O preço chegou a US$ 64,270 pouco depois das 21h de ontem, e se recuperou para cerca de US$ 66,300 no fim da manhã desta segunda, acompanhando a volatilidade dos mercados de ações e commodities.
A turbulência ganhou força depois que a Suprema Corte dos EUA barrou as chamadas “tarifas recíprocas” impostas no ano passado, e horas depois o presidente americano anunciou novas tarifas globais de até 15% por 150 dias, reforçando a percepção de incerteza comercial.
Derivativos, opções e movimentações on‑chain
No mercado de derivativos, operadores passaram a buscar proteção contra quedas do Bitcoin, com opções de venda tendo aumento relevante de contratos em aberto na Deribit nos strikes de US$ 58 mil, US$ 60 mil e US$ 62 mil.
Durante o fim de semana, dados de blockchain apontaram movimentação de grandes volumes de Bitcoin por um investidor de grande porte para uma exchange, o que alimentou especulações sobre venda e ampliou a volatilidade.
Altcoins, liquidações e fluxo em ETFs
Criptomoedas menores foram mais pressionadas em um ambiente de liquidez reduzida, Solana e SUI recuaram entre 7% e 8% antes de reagirem, e segundo a CoinGlass houve cerca de US$ 270 milhões em liquidações nas chamadas altcoins.
Os fluxos em ETFs também seguem no radar, os fundos de Bitcoin registraram na última semana a quinta sequência de saídas líquidas, acumulando cerca de US$ 315 milhões negativos, apesar de uma entrada pontual de US$ 88 milhões na sexta‑feira, sinalizando demanda irregular.
Compras institucionais, posição da Strategy e impacto patrimonial
A Strategy, maior empresa listada com reservas em Bitcoin, anunciou a compra de mais 592 BTC na semana passada, por US$ 39,8 milhões, ao preço médio de US$ 67,286 por unidade.
Com isso, a companhia passou a deter 717.722 BTC, adquiridos por US$ 54,56 bilhões, a um preço médio de US$ 76,020 por moeda. Com o Bitcoin negociado a cerca de US$ 66 mil, a posição representa perda não realizada de cerca de US$ 10 mil por unidade, ou aproximadamente US$ 7 bilhões no total.
As ações da empresa recuavam 2,33% às 10h40, acumulando queda de quase 55% em 12 meses, mostrando o custo da posição em cenários de preços mais baixos.
Perspectivas, níveis técnicos e avisos de analistas
Para Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin, o movimento reforça o ambiente de aversão a risco, “Os volumes do dia mostram atividade relevante, mas no acumulado semanal permanece uma dinâmica predominante de vendas. Isso reforça a leitura de que o mercado atravessa um momento de medo elevado”.
Szuster aponta que o Bitcoin perdeu um suporte na região de US$ 66,700 e, caso a pressão continue, pode buscar a faixa de US$ 61 mil, o menor valor desde outubro de 2024.
A analista técnica e trader Ana de Mattos sinaliza que, dado o sentimento de “medo extremo” no mercado, o Bitcoin pode testar regiões de liquidez em US$ 60 mil e US$ 53 mil, o que seria o patamar mais baixo desde fevereiro de 2024, enquanto resistências importantes aparecem em US$ 72 mil e US$ 75,500.
No curto prazo, investidores seguem atentos aos resultados corporativos, incluindo a divulgação da Nvidia na próxima quarta‑feira, e à evolução do preço do petróleo diante do risco de escalada militar no Oriente Médio, fatores que podem intensificar a volatilidade do Bitcoin.