CEO de gigante da saúde sugere que busca por equilíbrio trabalho-vida pode indicar insatisfação com a carreira.
Em um mundo onde o equilíbrio entre vida pessoal e profissional se tornou uma prioridade para muitas gerações, Iñaki Ereño, CEO da Bupa, uma das maiores empresas de saúde do mundo, apresenta uma perspectiva diferente.
Segundo Ereño, a obsessão por um equilíbrio rígido entre as esferas pode ser um indicativo de que o problema não está nas horas trabalhadas, mas sim na escolha da profissão.
A visão do executivo, compartilhada por outros líderes de sucesso, sugere que encontrar satisfação no trabalho pode tornar a separação entre vida pessoal e profissional menos crucial. Conforme divulgado pela Fortune, essa reflexão pode levar a uma mudança fundamental na carreira.
A paixão pelo trabalho como antídoto ao desequilíbrio
Iñaki Ereño, que lidera uma empresa com faturamento anual de £16,9 bilhões (aproximadamente R$ 114 bilhões) e mais de 100 mil funcionários, afirma que ama seu trabalho a ponto de pensar em assuntos corporativos até mesmo durante atividades de lazer.
Ele admite que pensa em trabalho nos fins de semana, responde a e-mails e lê notícias do setor sem sentir pressão, pois considera essas atividades prazerosas. Para ele, a necessidade de um corte rígido entre trabalho e vida pessoal não faz sentido quando há genuíno apreço pela atividade profissional.
“Acho que o conselho aqui é reservar um tempo para pensar no que você gosta de fazer”, disse Ereño. “Não faça um trabalho de que você não gosta, para depois precisar de equilíbrio.”
Rotina de um líder dedicado
A rotina diária de Ereño começa cedo, por volta das 6h30, com café e a leitura de jornais no iPad, antes de seguir para o escritório da Bupa. As reuniões se estendem até as 18h, seguidas por um momento de reflexão pessoal e resposta a e-mails.
A jornada de volta para casa, uma caminhada de 50 minutos, tornou-se um hábito diário. Após o expediente, ele frequenta a academia seis vezes por semana, combinando musculação e esteira, muitas vezes discutindo dilemas de trabalho com seu filho, que atua como seu personal trainer.
Ereño enfatiza que essa rotina é essencial para gerenciar uma empresa de grande porte e garantir clareza na tomada de decisões que impactam milhões de pessoas.
Visões alinhadas de outros líderes de sucesso
A perspectiva de Ereño encontra eco em outros nomes proeminentes do mundo dos negócios. A bilionária Lucy Guo, da Scale AI, que trabalha longas horas, compartilha a ideia de que a necessidade de equilíbrio pode indicar uma carreira desalinhada.
“Eu diria que, se você sente necessidade de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, talvez não esteja no trabalho certo”, afirmou à Fortune. Ela descreve seu trabalho como algo que ama, e que não lhe parece um fardo.
Will.i.am, artista e empreendedor, também sugere que o equilíbrio é buscado quando se trabalha para o sonho de outra pessoa. Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, vai além, afirmando que a busca por equilíbrio pode significar falta de comprometimento em vencer.
O sacrifício como caminho para feitos extraordinários
Jensen Huang, CEO da Nvidia, atribui o sucesso de sua empresa a uma abordagem de trabalho incansável, dedicando sete dias por semana à atividade. Ele acredita que “se você quer fazer coisas extraordinárias, não deveria ser fácil”.
O ex-presidente Barack Obama também comentou que buscar excelência em qualquer área exige momentos de desequilíbrio e foco total no trabalho. Ele mencionou ter passado um ano e meio sem fins de semana de verdade durante sua campanha presidencial.
Alex Karp, CEO da Palantir, aconselha a geração Z a focar em algo em que são talentosos e gostam, organizando a vida em torno disso, em vez de buscar um equilíbrio que pode impedir grandes conquistas. “Nunca conheci alguém realmente bem-sucedido que tivesse uma vida social incrível aos 20 anos”, declarou.