China exige que os Estados Unidos cancelem as tarifas unilaterais dos EUA e diz que avaliará impactos enquanto monitora medidas alternativas anunciadas por Washington
A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou grande parte das tarifas impostas pelo governo, ao decidir que o presidente não tem autoridade para taxar importações com base em uma lei de 1977.
No mesmo fim de semana, o presidente anunciou uma nova tarifa global, que foi elevada de 10% para 15%, e o anúncio reacendeu tensão comercial entre Pequim e Washington.
O Ministério do Comércio da China afirmou que está conduzindo uma avaliação abrangente sobre o impacto da decisão, e instou os EUA a suspender as medidas, conforme informação divulgada pela AFP.
O que decidiu a Suprema Corte e qual o alcance
A Corte concluiu que o fundamento usado para impor sobretaxas repentinas a países específicos, previsto em lei de 1977, não autorizava o presidente a agir sozinho nesse nível, o que invalidou a principal base legal das tarifas anteriores.
Especialistas dizem que a decisão representou uma repreensão política relevante ao presidente, e uniu dúvidas sobre a estabilidade das políticas tarifárias adotadas nos últimos anos, com forte impacto no comércio global.
Resposta e nova política tarifária de Washington
Após a decisão judicial, o presidente anunciou, em postagem na rede social Truth Social, uma nova tarifa global que inicialmente foi de 10% e, no sábado, foi elevada para 15%.
Na própria mensagem, o presidente afirmou, em referência às novas alíquotas, “efeito imediato vai elevar a tarifa mundial de 10% sobre países, muitos dos quais vêm explorando os EUA há décadas sem retaliação (até a minha chegada!), para o nível totalmente permitido e legalmente testado de 15%”.
Segundo relatos, as novas tarifas de 15% deveriam entrar em vigor na terça-feira e permanecer válidas por 150 dias, com isenções para alguns produtos, enquanto autoridades consideram alternativas legais para sustentar medidas comerciais.
Reação oficial da China e próximos passos
O Ministério do Comércio da China pediu a suspensão das tarifas unilaterais dos EUA e informou que fará uma avaliação abrangente do impacto econômico e comercial das medidas.
O Ministério das Relações Exteriores chinês declarou que está acompanhando “de perto” possíveis iniciativas dos EUA para manter o aumento das tarifas, e afirmou, na mesma publicação, “Os Estados Unidos estão atualmente planejando medidas alternativas, como investigações comerciais, para sustentar tarifas mais altas sobre parceiros comerciais. A China continuará atenta e defenderá resolutamente seus interesses”.
Autoridades e parceiros comerciais, incluindo União Europeia e outras economias, anunciaram que estão analisando tanto a decisão da Suprema Corte quanto os anúncios subsequentes, enquanto representantes dos EUA garantem que acordos comerciais vigentes continuarão em vigor, apesar da decisão judicial.