A disputa entre Estados Unidos e China por tecnologia e influência global ganhou um capítulo decisivo na área de energia, segundo o cientista político Ian Bremmer.
Para Bremmer, a China não apenas investiu em escala, como montou uma cadeia de produção que a coloca à frente em diversos segmentos, da geração à mobilidade elétrica.
Essas observações foram feitas em entrevista exclusiva ao jornal GLOBO, e ajudam a explicar por que, na visão dele, os chineses já batem americanos na área de energia, conforme informação divulgada pelo GLOBO.
Quem é Ian Bremmer e por que o comentário importa
Ian Bremmer é fundador e presidente do Eurasia Group, empresa de consultoria de risco com escritórios em Nova York, Washington, Londres, Tóquio, São Paulo, São Francisco e Cingapura.
Ele criou o conceito G-Zero, que descreve um mundo sem uma liderança global clara, e acompanha há anos a evolução das capacidades tecnológicas e econômicas de grandes potências.
Ao afirmar que os chineses já batem americanos na área de energia, Bremmer sinaliza uma mudança estrutural que afeta competitividade, segurança e política industrial global.
Em quais áreas da energia a China domina
Bremmer aponta que a liderança chinesa abrange geração e transmissão, incluindo energia eólica e solar, ampliação de usinas nucleares, tecnologias de armazenamento como baterias, infraestrutura elétrica inteligente e veículos elétricos.
Na avaliação dele, mesmo que os EUA mantenham vantagens em semicondutores e inteligência artificial, a capacidade chinesa de produzir em grande escala e a custos menores torna a China mais favorável para sustentar e expandir sistemas que exigem energia massiva.
Impactos para a competição tecnológica e geopolítica
Segundo Bremmer, essa vantagem chinesa na energia dá a Pequim uma plataforma para alimentar outras tecnologias, inclusive inteligência artificial, com maior escala e custo mais baixo.
Ele observa também que há uma erosão do soft power americano e maiores intervenções estatais nos EUA, o que combina com a ascensão chinesa e altera o equilíbrio global entre tecnologia, economia e política.
O recado e as ressalvas de Bremmer
Bremmer destaca que, apesar da preferência pela democracia americana, no aspecto energético, ele preferiria estar na posição da China daqui a cinco anos pelo dinamismo industrial e pela escala de produção, frase que demonstra a preocupação com a rapidez da transição chinesa.
O diagnóstico serve como alerta para formuladores de política pública e empresas, que precisarão acelerar investimentos em infraestrutura, inovação e parcerias para recuperar competitividade naquele que já é, segundo Bremmer, um terreno em que os chineses já batem americanos na área de energia.