Waller do Fed descarta impacto duradouro do choque do petróleo na inflação e política monetária
O aumento nos preços da gasolina, decorrente dos recentes ataques aéreos dos EUA contra o Irã, pode gerar um choque inicial para os consumidores americanos. Contudo, Christopher Waller, diretor do Federal Reserve (Fed), avalia que essa alta global do petróleo provavelmente **não resultará em inflação persistente**.
Segundo Waller, a situação atual difere significativamente das crises de abastecimento de petróleo da década de 1970. Ele descreve o evento como mais parecido com um “evento isolado”, cuja normalização é esperada em algumas semanas ou até dois meses.
Essa perspectiva é crucial para a condução da política monetária. O Fed, ao focar no índice de inflação “núcleo” que exclui itens voláteis como petróleo e alimentos, busca atingir sua meta de 2%. A informação foi divulgada pelo Reuters.
Preços do petróleo disparam e gasolina sobe 10% nos EUA
Os preços do petróleo escalaram para perto de US$90 o barril, um aumento considerável em relação aos US$72 registrados antes da ofensiva aérea americana contra o Irã. Consequentemente, os preços da gasolina nos Estados Unidos apresentaram uma alta de cerca de 10%, saltando de pouco menos de US$3 o galão para US$3,32.
A gasolina, tradicionalmente, exerce uma influência desproporcional no sentimento do consumidor americano. No entanto, a expectativa do Fed, expressa por Waller, é de que o choque de preços seja relativamente passageiro.
Riscos e a visão do Fed sobre a inflação
O principal risco para as perspectivas econômicas, de acordo com Waller, seria caso o choque do petróleo “se tornasse mais permanente”. Nesse cenário, haveria a possibilidade de o aumento se espalhar para outras áreas da economia.
O conflito com o Irã, sem um prazo definido, impactou a navegação no Estreito de Ormuz e gerou alertas de autoridades regionais sobre novos aumentos de preços. Apesar disso, os mercados financeiros parecem mais céticos quanto a novos cortes nas taxas de juros pelo Fed, refletindo a avaliação de que o choque energético atual não deve desestabilizar a inflação a longo prazo.
O que é o índice de inflação “núcleo”?
O Federal Reserve, ao analisar a inflação, frequentemente se concentra no chamado “núcleo” da inflação. Este índice exclui os preços de bens mais voláteis, como energia (petróleo) e alimentos, que podem sofrer oscilações rápidas e pontuais.
Ao desconsiderar essas flutuações, o Fed obtém uma visão mais clara das tendências inflacionárias subjacentes e de longo prazo, permitindo uma tomada de decisão mais precisa em relação à política monetária e à meta de inflação de 2%.