Confronto em alto-mar na costa de Cuba envolve lancha registrada na Flórida, armas, coquetéis molotov e mortos, autoridades cubanas e EUA dizem que investigam o caso
Uma embarcação rápida com 10 pessoas a bordo entrou em águas territoriais cubanas e foi alvo de um confronto com guardas de fronteira do país, deixando mortos e feridos.
Autoridades cubanas afirmam que a lancha estava armada e transportava coquetéis molotov, além de equipamentos como coletes à prova de bala e roupas camufladas.
Os detalhes iniciais sobre localização, vítimas e equipamentos foram divulgados pelo Ministério do Interior de Cuba e pela mídia estatal, conforme informação divulgada pelo The New York Times.
O que aconteceu
Segundo o comunicado do Ministério do Interior de Cuba, a embarcação se aproximou a 1 milha náutica a nordeste do canal de El Pino, ao norte de Corralillo, na província de Villa Clara.
Embarcações governamentais com guardas de fronteira tentaram abordar a lancha para solicitar identificação.
De acordo com o relato oficial, “Cinco guardas de fronteira cubanos, em um barco do governo, se aproximaram da lancha rápida para solicitar identificação, quando as pessoas a bordo abriram fogo contra o pessoal cubano, ferindo um comandante”.
O ministério informou também, por meio da mídia estatal, que “Como resultado do confronto, até o momento deste informe, quatro agressores estrangeiros foram mortos e seis ficaram feridos”.
Quem eram os ocupantes e que armamento foi encontrado
Conforme a cobertura, os 10 homens na lancha eram cidadãos cubanos residentes nos Estados Unidos, segundo reportagem da mídia estatal que citou o Ministério do Interior.
O governo afirmou que, pelas “declarações preliminares” de homens detidos, havia a intenção de realizar “uma infiltração com fins terroristas”, sem, porém, detalhar as conclusões que levaram a essa avaliação.
A reportagem citou ainda que os ocupantes portavam “armas, coquetéis molotov, coletes à prova de bala e roupas camufladas”.
Registros do estado da Flórida apontam que a embarcação registrada corresponde a um barco a motor Pro-Line de 24 pés, construído em 1981, número de registro indicado pelas autoridades cubanas.
As autoridades prenderam um homem que admitiu ter viajado de avião até a ilha para encontrar a lancha, e o ministério informou que a maioria dos homens a bordo teria histórico criminal ou de violência.
Reações e investigações
O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos estavam investigando o tiroteio, mas que, até o momento, dependiam das informações fornecidas pelo governo cubano.
Rubio disse ainda, conforme reportagem, que o incidente não fazia parte de uma operação do governo dos EUA e não envolvia pessoal do governo americano, e declarou, “À medida que obtivermos mais informações, estaremos preparados para responder de acordo”.
Autoridades da Flórida também reagiram; em comunicado, o deputado Carlos A. Gimenez pediu uma investigação imediata sobre o que chamou de “massacre”.
O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, afirmou ter determinado que o Escritório de Promotoria Estadual abra uma investigação sobre o tiroteio, e disse, “O governo cubano não é confiável, e faremos tudo ao nosso alcance para responsabilizar esses comunistas”.
Contexto e possíveis implicações
O confronto ocorre em meio a uma crise econômica em Cuba, com escassez de combustíveis e disparada dos preços dos alimentos, uma situação que, segundo especialistas citados, pode se tornar um marco decisivo para o governo.
Em contexto anterior citado pela cobertura, “O governo Trump interrompeu o envio de petróleo para Cuba e ameaçou impor tarifas sobre produtos de qualquer outro país que tente fornecer petróleo à ilha”, medidas que o governo cubano denunciou.
Autoridades cubanas começaram a divulgar os nomes de alguns mortos e feridos na noite do confronto, e os feridos foram evacuados e receberam atendimento médico, segundo o ministério.
Novas informações devem surgir à medida que as investigações em Cuba e nos Estados Unidos avançarem, incluindo a apuração das motivações dos ocupantes da lancha, a origem dos recursos e eventuais ligações externas.
Reportagem e informações principais citadas pelo The New York Times, com base em comunicados do Ministério do Interior de Cuba.