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Crise no Irã ameaça mercado de gás global, risco de pior ruptura no GNL desde 2022 com Estreito de Hormuz e impacto em China, Índia e Japão

A escalada da crise no Irã está empurrando os mercados de gás para uma possível ruptura tão significativa quanto a provocada pela invasão da Ucrânia em 2022, com impacto direto nas rotas de exportação de GNL.

Rotações comerciais e embarques podem ser interrompidos, e importadores na Ásia já buscam alternativas de última hora, enquanto operadores de navios evitam a região do Estreito de Hormuz.

As informações sobre desvios de navios, instruções de armadores e riscos de produção foram reunidas a partir de reportagens recentes, conforme informação divulgada pela Bloomberg.

Como o Estreito de Hormuz afeta o fluxo de GNL

O Estreito de Hormuz é um gargalo vital para a energia global, com aproximadamente 20% das exportações de gás natural liquefeito, GNL, passando por ali. Qualquer atividade naval na área tende a elevar os preços, e a paralisação de navios já registra efeitos imediatos.

Segundo dados de rastreamento, pelo menos onze navios de GNL que iam para ou saíam do Catar interromperam suas viagens para evitar a rota, e grandes operadoras orientaram embarcações a aguardar ou evitar a área.

Tom Marzec-Manser, diretor de GNL e gás europeu na Wood Mackenzie, afirmou, traduzido para o português, “Qualquer atividade naval no Estreito de Hormuz será particularmente altista, assim como qualquer novidade relacionada à produção de GNL do Catar”, indicando sensibilidade tanto à navegação quanto à produção.

Quem mais sofre com a interrupção e onde estão as maiores exposições

A Ásia é especialmente vulnerável, porque mais de quatro quintos do GNL do Catar foram destinados a compradores asiáticos no ano passado, e a China recebeu quase um terço dessas importações.

O Catar exportou 82,2 milhões de toneladas de GNL em 2025, volume que depende de rotas marítimas seguras para chegar a compradores na Ásia e na Europa.

Armadores como a Nippon Yusen instruíram navios a evitar a área do Estreito de Hormuz, a Mitsui OSK Lines pediu que embarcações aguardem em águas seguras, e a Kawasaki Kisen Kaisha ordenou prontidão para navios no Golfo Pérsico, segundo reportagens.

Importadores na China, Japão e Índia já telefonam para fornecedores procurando cargas alternativas, e o Egito tentou antecipar embarques depois que Israel fechou alguns campos, tudo sinalizando tensão nos fluxos comerciais.

Cenários, preços e riscos para produção

Se o conflito se arrastar e as interrupções no transporte continuarem, cresce o risco de afetar a própria produção de GNL, porque as instalações precisam escoar volumes constantes para operar, caso contrário há risco de cortes de produção.

Anne-Sophie Corbeau, pesquisadora do Center on Global Energy Policy da Universidade Columbia, escreveu, traduzido para o português, “Não há substituto”, e questionou se os preços subirão mais na Ásia ou na Europa, lembrando que a Europa está menos exposta, mas tem baixos níveis de armazenamento, e que tudo depende de quanto será desviado para a Ásia.

Contratos de longo prazo de GNL costumam ser atrelados a referências do petróleo, de modo que um aumento no Brent também encarece o gás para consumidores asiáticos, ampliando o efeito sobre contas de energia.

Além disso, a Turquia pode ser pressionada, porque importa gás por gasoduto do Irã, em um contrato de 9,6 bilhões de metros cúbicos por ano. As entregas de Teerã representaram menos de 15% das importações de gás da Turquia em 2024, segundo dados citados nas reportagens, mas cortes forçariam compras adicionais de GNL, elevando a demanda por embarques marítimos.

A Jera Co., maior compradora de GNL do Japão, alertou, traduzido para o português, “Se as tensões no Oriente Médio se intensificarem ou se prolongarem, restrições à navegação de petroleiros e outros fatores podem afetar o suprimento ao Japão”, e disse que continuará se empenhando para garantir aquisições flexíveis.

O que acompanhar nas próximas semanas

Fique atento a três pontos-chave, porque eles determinarão o impacto no mercado de GNL: a continuidade das operações no Estreito de Hormuz, mudanças na produção do Catar e dos Emirados, e decisões de armadores sobre rotas e segurança.

Se desvios e esperas em águas seguras persistirem, o mercado pode virar rapidamente de um período de oferta confortável para um ciclo de preços mais altos e volatilidade, sobretudo na Ásia, onde a dependência de suprimentos do Oriente Médio é maior.

Em curto prazo, comerciantes e compradores vão monitorar embarques e movimentos de navios, e governos vão avaliar medidas para reduzir riscos ao abastecimento, enquanto consumidores e mercados acompanham sinais de alta nos preços internacionais.