Em um cenário econômico internacional marcado por intensa turbulência, a gestão de portfólios exige resiliência e disciplina. Paulo Leme, chairman do Comitê Global de Alocação da XP Private Bank, ressalta a importância desses princípios para atravessar períodos de alta volatilidade, como o atual, impulsionado pelas tensões geopolíticas.
A análise de Leme, apresentada na XP Global Conference em Miami, foca na delicada relação entre Irã e Estados Unidos, sublinhando a necessidade de uma abordagem estruturada para a proteção e valorização do capital investido.
A diversificação, segundo o especialista, é a chave para mitigar riscos. Uma carteira com ativos de correlações diversas reduz a volatilidade e permite que investidores mantenham a calma mesmo em momentos de crise. Conforme informação divulgada pela XP Private Bank, “a estrutura diversa de correlações que uma carteira diversificada tem é o que proporciona exatamente aquela redução de volatilidade que te permite atravessar esses momentos mais turbulentos com a cabeça fria”, afirma Leme.
Governança e Disciplina: Pilares Contra a Incerteza
A governança corporativa se mostra um pilar essencial, especialmente em mercados sensíveis. Definir regras claras, metas e benchmarks é fundamental para orientar decisões, como o uso de derivativos para hedge, evitando improvisos em momentos de estresse. A disciplina na execução da estratégia é mais valiosa do que tentar prever o mercado, prática que Leme compara a um “Good luck”, pois o curto prazo, com seus custos e subperformances, pode ser prejudicial.
Dois Cenários para o Conflito EUA-Irã e Impactos nos Mercados
A ausência de um plano claro por parte do governo americano no conflito com o Irã aumenta a incerteza global. Leme aponta que o tempo é um fator crítico, com os EUA sob pressão das eleições de meio de mandato, enquanto o Irã busca estender o prazo. Dois cenários principais emergem: um otimista, com um acordo de paz rápido, que poderia gerar um “Mega Rally” nos mercados; e um pessimista, com um conflito prolongado, preocupante para o fornecimento de petróleo e gás natural.
Estratégias Defensivas para o “Cenário Vermelho”
Diante do cenário mais adverso, Leme recomenda uma alocação defensiva. Isso inclui reduzir o risco geral e buscar maior exposição a Treasuries, os títulos do Tesouro americano. Na renda variável, a sugestão é “reduzir o beta”, com posições compradas (long) em setores como petróleo, inflação, qualidade e volatilidade, e posições vendidas em juros, valor e small caps.
A exposição a ativos de “high yield” deve ser diminuída devido ao aumento do risco de crédito. Globalmente, a estratégia seria favorecer exportadores de energia e reduzir a exposição a importadores. A disciplina e uma carteira bem estruturada, segundo Leme, são mais importantes do que nunca. “Não se afobe em ficar fazendo microgerenciamento da carteira. Se ela está construída, ela vai te levar até o final”, conclui.