O Brasil começou o ano com um déficit em conta corrente maior do que o esperado, enquanto a entrada de capitais diretos surpreendeu positivamente.
O resultado amplia o debate sobre a sustentabilidade externa e a confiança de investidores no país nos próximos meses.
Os dados foram divulgados pelo Banco Central, conforme informação divulgada pela Reuters.
Detalhes do déficit e situação em 12 meses
Em janeiro, o déficit em transações correntes atingiu US$8,36 bilhões, acima da expectativa da pesquisa da Reuters, que apontava saldo negativo de US$6,4 bilhões.
No mesmo período do ano anterior houve déficit de US$9,809 bilhões, e o déficit acumulado em 12 meses totalizou o equivalente a 2,92% do Produto Interno Bruto, PIB.
Investimento direto no país
Os investimentos diretos no país somaram US$8,168 bilhões em janeiro, superando os US$7,0 bilhões projetados na pesquisa e ficando acima dos US$6,708 bilhões registrados em janeiro de 2025.
Esse fluxo de investimento direto ajuda a financiar parte do déficit em conta corrente, mesmo com o rombo no componente de renda primária.
Componentes da conta, comércio e serviços
A conta de renda primária apresentou rombo de US$8,312 bilhões no mês, ante saldo negativo de US$7,001 bilhões no mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, a balança comercial teve superávit de US$3,516 bilhões em janeiro, contra US$1,396 bilhão no mesmo mês de 2025, enquanto o rombo na conta de serviços ficou em US$3,972 bilhões, contra déficit de US$4,553 bilhões em janeiro do ano anterior.
O que isso significa para a economia
O aumento do déficit em conta corrente sinaliza pressões externas maiores, mas a entrada de investimento direto acima do esperado reduz riscos de curto prazo.
Analistas e autoridades vão monitorar a evolução desses fluxos e o desempenho das exportações e serviços, para avaliar impactos sobre câmbio e condições financeiras.