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Déficit Primário de Março Atinge Pior Marca em 30 Anos: Governo Central Registra R$ 73,78 Bilhões em Rombo com Pagamento de Precatórios

Déficit Primário de Março Atinge Pior Marca em 30 Anos: Governo Central Registra R$ 73,78 Bilhões em Rombo com Pagamento de Precatórios

O governo central registrou um déficit primário de R$ 73,783 bilhões em março, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica em 1997. O resultado foi impulsionado pela antecipação no pagamento de precatórios, que elevou significativamente as despesas do período.

Este rombo fiscal supera as projeções de economistas, que esperavam um déficit de R$ 71,627 bilhões. O dado contrasta fortemente com o superávit de R$ 1,527 bilhão registrado em março do ano anterior, evidenciando uma deterioração nas contas públicas.

A elevação das despesas totais, que alcançaram R$ 269,881 bilhões, representa um aumento real de 49,2% em comparação com o mesmo mês de 2025. Esse cenário desafiador nas finanças públicas foi detalhado pelo Tesouro Nacional, conforme divulgado pela Reuters.

Despesas Disparam com Pagamento de Precatórios e Benefícios Previdenciários

A principal causa para a disparada nas despesas foi o cronograma de pagamentos de precatórios. Diferentemente do ano anterior, quando os desembolsos foram concentrados em julho, em 2025 eles foram antecipados para março. Essa mudança de calendário resultou em um pagamento adicional de R$ 34,9 bilhões em sentenças judiciais.

Além dos precatórios, houve um impacto relevante nos pagamentos de benefícios previdenciários, que somaram R$ 28,6 bilhões, e nos gastos com pessoal, totalizando R$ 11,3 bilhões. Esses fatores combinados explicam grande parte do aumento expressivo nas despesas do governo central.

Receitas Líquidas Crescem, Mas Não Compensam Aumento de Gastos

Apesar do cenário de déficit, as receitas líquidas do governo central apresentaram um crescimento real de 7,5% em março, atingindo R$ 196,098 bilhões. Esse aumento foi impulsionado pela arrecadação de tributos administrados pela Receita Federal, que avançou 6,2%, e pela arrecadação líquida da Previdência Social, que subiu 5,9%.

No entanto, o crescimento nas receitas não foi suficiente para compensar a forte elevação das despesas. A diferença resultou no expressivo déficit primário observado, que reflete a pressão sobre o orçamento público em decorrência dos pagamentos concentrados e de outros gastos governamentais.

Acumulado em 12 Meses Revela Déficit Persistente

Olhando para um período mais amplo, o governo central acumulou um déficit de R$ 136,5 bilhões nos últimos 12 meses. Esse valor representa 1,03% do Produto Interno Bruto (PIB), indicando uma dificuldade persistente em equilibrar as contas públicas em um horizonte mais longo.

A situação fiscal, com o pior déficit primário para março em 30 anos, levanta preocupações sobre a sustentabilidade das finanças do governo e a necessidade de ajustes para garantir a estabilidade econômica a médio e longo prazo, especialmente diante da antecipação de pagamentos que impactou o resultado do mês.