Startup de afroturismo Diaspora.Black se consolida na Europa e planeja rodada de investimento de US$ 3 milhões
A Diaspora.Black, plataforma inovadora focada em conectar viajantes a experiências afrocentradas, está expandindo suas operações para o mercado europeu. A startup escolheu Lisboa, Portugal, como sua nova base estratégica, marcando um passo importante em sua internacionalização.
O movimento visa consolidar a presença global da empresa e impulsionar o desenvolvimento do afroturismo. Paralelamente à expansão, a Diaspora.Black está em fase de preparação para uma rodada de investimento Série A, buscando captar cerca de US$ 3 milhões para financiar seus planos de crescimento.
A decisão de estabelecer uma operação em Portugal não estava no plano inicial da empresa. No entanto, experiências vividas pelo fundador e CEO, Carlos Humberto, em Lisboa, revelaram um potencial significativo para o afroturismo no país, especialmente ao explorar narrativas históricas e culturais pouco representadas no turismo tradicional. Segundo Carlos Humberto, a internacionalização já acontecia de forma dispersa, mas agora ganha um contorno mais estruturado com a nova base europeia, conforme divulgado pela própria startup.
Validação do Mercado Europeu Impulsiona Expansão
Para testar a receptividade do mercado português, a Diaspora.Black organizou um encontro sobre afroturismo em Lisboa. A expectativa era reunir 25 participantes, mas o evento surpreendeu ao atrair mais de 100 pessoas, incluindo executivos do setor, gestores públicos e representantes diplomáticos. Essa forte adesão validou a percepção de Carlos Humberto sobre o potencial do país.
Com base nesse sucesso, a startup decidiu formalizar sua presença em Portugal, abrindo uma operação local. A nova empresa, que manterá a marca Diaspora.Black, está em seus estágios iniciais, focando na formalização e na formação de uma equipe dedicada. A escolha de Portugal se justifica pela sua posição geográfica estratégica, vista como uma “encruzilhada” que conecta Europa, África e América Latina, facilitando fluxos turísticos entre essas regiões.
Modelo de Negócios e Planos de Investimento
A estratégia da Diaspora.Black em Portugal priorizará inicialmente o modelo B2B e B2G, com projetos voltados para a estruturação do mercado de afroturismo. Isso inclui o desenvolvimento de produtos turísticos, iniciativas de formação, estratégias de marketing e articulação com políticas públicas. A empresa já iniciou conversas com entidades locais, como a instância regional de turismo de Lisboa, para criar um planejamento estratégico para o segmento.
A startup busca se posicionar como um player global no setor, combinando tecnologia com atuação direta na estruturação de mercados. Além do seu marketplace, a Diaspora.Black atua como uma DMC (Destination Management Company), desenvolvendo e operando produtos turísticos. A empresa também cria metodologias próprias para formação de comunidades, capacitação de agentes do trade e desenvolvimento de produtos turísticos, atuando em projetos com instituições como BNDES, BID e CAF.
A rodada Série A de US$ 3 milhões, prevista para ser concluída nos próximos meses, visa acelerar a tração da empresa. “Chegamos na fase em que precisamos investir na escala da nossa tecnologia para ampliar vendas e alcance”, afirma Carlos Humberto. A startup dobrou o faturamento nos últimos anos e projeta repetir o desempenho em 2026, com a meta de alcançar R$ 18 milhões em receita.
Visão de Futuro e Impacto Global
Com a expansão europeia, a Diaspora.Black pretende fortalecer a circulação internacional de turistas, atraindo estrangeiros para o Brasil e conectando viajantes a outros destinos da diáspora africana. A empresa almeja se consolidar como referência global em afroturismo, colaborando com governos e instituições multilaterais para estruturar o segmento em diversos países.
“Não estamos levando apenas uma ideia, mas um mercado que já foi testado e estruturado na América Latina, no Caribe e nos Estados Unidos, e que representa uma oportunidade real de desenvolvimento econômico”, conclui Carlos Humberto. A empresa já levantou um seed de R$ 600 mil em 2019 com a Vox Capital, investimento que foi crucial para a superação dos desafios impostos pela pandemia ao setor de turismo.