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Diretor do BC afirma que política monetária funciona e pacifica debate sobre eficácia no Brasil

Banco Central confirma: política monetária tem funcionado e debate está pacificado, diz diretor

A discussão sobre a eficácia da política monetária no Brasil parece ter chegado a um consenso. Segundo Paulo Picchetti, diretor de Política Econômica e Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, a dúvida que pairava no passado sobre o funcionamento das medidas adotadas foi pacificada.

Picchetti apontou a recente desaceleração da atividade econômica doméstica como o principal indicador de que a política monetária está, de fato, surtindo efeito. A declaração foi feita em entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre de 2026.

“Aquela discussão do ano passado, se a política monetária estava funcionando ou não, aparentemente está pacificada agora, a política monetária funciona”, afirmou o diretor, reforçando a confiança do BC nos mecanismos de controle inflacionário.

Desaceleração da Atividade Econômica como Sinal de Efetividade

O diretor do Banco Central ressaltou que o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou um desempenho próximo de zero na segunda metade do ano passado. Essa **desaceleração ficou ainda mais evidente nos setores cíclicos da economia**, demonstrando o impacto das políticas em vigor.

Picchetti mencionou que, para o primeiro trimestre deste ano, a expectativa é de uma leve aceleração na atividade econômica. Ele esclareceu, contudo, que parte dessa alta pode ser atribuída aos métodos de ajuste sazonal utilizados na divulgação dos dados econômicos.

“Independente do que você lê em termos do padrão de ajuste sazonal, você tem uma aceleração do PIB no primeiro trimestre. Essa aceleração é compatível com uma trajetória de crescimento para o ano, que mostra outra desaceleração, agora, em relação ao resultado fechado de 2025”, explicou o diretor.

Incertezas e Projeções Futuras do PIB

Apesar do cenário de desaceleração confirmada, o diretor do BC também alertou para a **grande incerteza em torno das projeções para o desempenho futuro do PIB**. Ele destacou que o aumento da incerteza em relação a diversos fatores importantes pode ampliar o intervalo de confiança nas projeções econômicas.

“E, quando você aumenta a incerteza em relação a várias coisas importantes, como o cenário atual, você aumenta esse intervalo de confiança nas projeções”, frisou Picchetti, indicando a necessidade de cautela ao analisar os dados futuros.

Preocupação com a Ancoragem das Expectativas de Inflação

Paulo Picchetti reiterou que o Banco Central mantém a **preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação**, mesmo sem revisões significativas nas projeções de longo prazo. A autoridade monetária considera a ancoragem das expectativas um ponto crucial para a estabilidade de preços.

“As expectativas de prazo mais longo, elas não sofreram revisões significativas do passado recente, porém, isso é objeto constante de comunicação do comitê. Ainda nos preocupa a inflação desancorada para os horizontes mais longos em relação à meta”, declarou o diretor.

Resiliência da Inflação de Serviços no Radar do BC

Outro ponto de atenção destacado por Picchetti foi a **resiliência da inflação de serviços**, que se mantém em um patamar considerado bem superior à meta estabelecida pelo Banco Central. Essa persistência inflacionária está associada ao cenário de um mercado de trabalho apertado.

A persistência da inflação de serviços, em um contexto de mercado de trabalho aquecido, representa um desafio contínuo para a política monetária, exigindo monitoramento constante e ações estratégicas para trazer a inflação de volta ao centro da meta.