Dólar perto de R$ 5: É hora de comprar? Especialistas dão o veredito e dicas para investidores
O real brasileiro vive um momento de forte valorização, com o dólar negociado abaixo dos R$ 5, patamar não visto há mais de um ano. Essa apreciação expressiva levanta a questão: seria este o momento ideal para comprar dólares?
Diversos fatores globais e internos contribuem para o cenário atual. A busca por segurança em mercados emergentes, a alta do petróleo e a resiliência da economia brasileira são alguns dos pontos que favorecem a moeda nacional.
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney apresentam visões distintas, mas concordam em pontos cruciais sobre como navegar neste momento. Entenda as análises e as recomendações para quem pensa em dolarizar parte do patrimônio ou planeja uma viagem ao exterior.
O que explica a força do Real?
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, aponta que a política tarifária dos Estados Unidos, iniciada com Donald Trump, e conflitos globais levaram investidores a buscarem outros mercados, enfraquecendo o dólar globalmente. O Brasil se destacou como um destino atraente.
Os juros elevados, ações consideradas baratas na Bolsa brasileira e indicadores econômicos positivos, como crescimento forte e baixo desemprego, tornaram o país um polo de atração para capital estrangeiro. Segundo Sung, isso contribuiu para a valorização do real.
Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office, acrescenta que a alta do petróleo também beneficia o real, já que o Brasil é superavitário na balança comercial de petróleo, gerando entrada de moeda estrangeira.
Angelo Belitardo, gestor da Hike Capital, descreve o movimento como contraintuitivo. Em vez de fuga para o dólar, o mercado desmontou posições defensivas com a redução de risco geopolítico, impulsionando moedas emergentes como o real.
Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, destaca a resiliência do Brasil frente às tarifas americanas, com exportações robustas, o que reforça a confiança na economia local.
Comprar Dólar Agora: Estratégias Recomendadas
Diante do dólar próximo a R$ 5, a tentação de acertar o momento exato da compra ou venda é grande. No entanto, especialistas alertam para a importância de uma abordagem gradual.
Gustavo Sung recomenda a estratégia de preço médio, comprando aos poucos para obter um valor médio mais favorável. Ele sugere que este é um bom momento para realizar uma pequena troca, especialmente para quem planeja viagens.
Marcos Praça reforça a ideia de fracionar a compra para viagens em pelo menos três períodos, garantindo um preço médio. Para investimentos, ele aconselha o foco no longo prazo, tratando o dólar como proteção e mantendo uma parcela do patrimônio dolarizado.
Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing, defende a dolarização histórica, apontando que desde 1994 o dólar tem tendência de alta. Para ele, toda queda do dólar representa uma oportunidade de investimento.
Para quem já possui dólares, o conselho é manter a estratégia original. Angelo Belitardo enfatiza que movimentos de curto prazo não mudam o papel do dólar como proteção. Aumentar a posição só faz sentido se a alocação em dólar estiver abaixo do planejado.
Marcos Praça concorda, sugerindo que a posição em dólar deve ser manejada e rebalanceada. Se a queda atual reduziu a fatia dolarizada do patrimônio, vale aumentar gradualmente, sempre mirando em um objetivo base pré-estabelecido.
O Futuro do Dólar e Como Investir
Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, projeta que o dólar pode cair ainda mais, possivelmente atingindo a casa dos R$ 4,80 em alguns momentos do ano, formando uma tendência baixista.
Angelo Belitardo considera esse cenário possível, mas não o base. Ele explica que um dólar abaixo de R$ 5 reduz a pressão inflacionária, mas também pode diminuir a competitividade das exportadoras.
Gustavo Sung considera um cenário com dólar abaixo de R$ 5 por muitos meses consecutivos “difícil”, devido a questões domésticas ainda a serem resolvidas. A projeção da Suno Research é de que a moeda americana continue “comportada”, mas não abaixo de R$ 5 por muito tempo.
Tadeu Arantes alerta para a volatilidade, afirmando que o nível atual não deve ser tratado como um novo “piso estrutural”, pois o câmbio responde rapidamente a mudanças no ambiente externo.
Para quem nunca investiu em dólar, Arantes orienta que o investimento vai além de comprar a moeda, envolvendo acessar ativos internacionais como fundos e ETFs. É crucial definir objetivos, entender o risco e o horizonte de investimento.
Marcos Praça indica que o primeiro passo é abrir conta em uma corretora que ofereça ativos no exterior. Angelo Belitardo sugere começar com uma parcela pequena via fundos internacionais, ETFs ou conta no exterior.
O erro mais comum, segundo os especialistas, é a especulação de curto prazo. Tentar acertar o melhor momento ou usar o dólar como especulação política, em vez de proteção de patrimônio e diversificação, são abordagens que tendem a gerar decisões precipitadas e perdas financeiras.