Dólar abaixo de R$ 5 abre portas para viagens internacionais e impulsiona o turismo brasileiro
A recente queda do dólar para patamares inferiores a R$ 5, o menor em mais de dois anos, está criando um cenário promissor para o turismo. Essa valorização do real frente à moeda americana torna as viagens internacionais mais acessíveis para os brasileiros, estimulando a demanda por destinos no exterior e até mesmo por intercâmbios.
Simultaneamente, o Brasil ganha em competitividade para atrair turistas estrangeiros, especialmente da América Latina. Especialistas apontam para uma via de mão dupla no turismo, com benefícios tanto para quem sai quanto para quem chega ao país. Essa janela de oportunidade exige planejamento estratégico para aproveitar ao máximo o câmbio favorável.
Conforme informações divulgadas pelo InfoMoney, o poder de compra do brasileiro no exterior se amplia com o câmbio mais vantajoso, sendo um dos principais impulsionadores do setor. Pedro Zava, especialista em investimentos e manager da AG Immigration, destaca que a valorização do real impacta diretamente o planejamento familiar, tornando viagens, estudos e processos de mudança para países como os Estados Unidos mais acessíveis, já que muitos custos estão atrelados ao dólar.
Aumento na procura por viagens internacionais e intercâmbios
Emerson Belan, vice-presidente de vendas da CVC, relatou um aumento de 20% na procura por viagens internacionais desde o início da desvalorização do dólar. Ele enfatiza que a queda da moeda ajuda brasileiros a realizar o sonho de conhecer outros países, abrangendo desde destinos na América do Sul e Central até a Europa. Destinos internacionais já representam 34% das vendas da empresa, um aumento significativo em relação ao ano anterior.
A Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav) também percebe um aumento na confiança do consumidor, que vê a queda do dólar como um momento estratégico para planejar viagens. Ana Carolina Medeiros, presidente da Abav Nacional, ressalta que há uma expectativa de retomada do interesse por viagens internacionais, especialmente entre aqueles que aguardavam um cenário mais favorável.
Para programas de estudos no exterior, a queda do dólar também incentiva a tomada de decisão. Christina Bicalho, vice-presidente do STB, especializado em estudos internacionais, explica que a desvalorização da moeda estimula quem já planejava fechar contratos a fazê-lo agora, aproveitando o câmbio mais baixo para economizar.
Destinos em alta e estratégias de planejamento
Com o câmbio mais favorável, destinos tradicionais como América do Norte, Caribe e Europa voltam a figurar entre os mais procurados. Países com câmbio competitivo, como Turquia e Egito, também ganham destaque. Dados do Airbnb confirmam essa tendência, com um aumento de cerca de 20% nas buscas de brasileiros por viagens internacionais na Semana Santa de 2026, com cidades europeias como Madri, Lisboa e Barcelona liderando.
Especialistas alertam, contudo, para a **volatilidade do câmbio** e a importância do planejamento. A recomendação geral é evitar decisões impulsivas e adotar uma estratégia gradual. A compra de moeda pode ser feita aos poucos, diluindo oscilações, e pacotes parcelados em real ajudam a travar preços, conforme sugere a presidente da Abav.
A Wise, especialista em câmbio, reforça a necessidade de estratégia, sugerindo compras fracionadas e o uso de ferramentas como alertas de câmbio. Ao converter R$ 1.000 em dólar em 14/04/2026, o consumidor receberia US$ 190,64, com um total de R$ 48,10 em impostos e tarifas. Utilizando a solução Rende+, o mesmo valor converteria em US$ 196,92, com um total de R$ 17,17 em impostos e tarifas, demonstrando a economia potencial.
Brasil se mantém competitivo para o turismo regional
Apesar do estímulo às viagens internacionais, o Brasil não perde sua relevância turística. Destinos como Rio de Janeiro e Florianópolis continuam atraindo turistas da América Latina, especialmente argentinos e colombianos, segundo dados do Airbnb. Isso demonstra a contínua competitividade do país em viagens regionais.
O efeito do dólar mais baixo, no entanto, não é linear. Por um lado, impulsiona viagens internacionais e intercâmbios, além de tornar o Brasil mais atrativo para estrangeiros. Por outro, fatores como a volatilidade cambial e cenários geopolíticos exigem cautela e planejamento.
Pedro Zava alerta que o mercado projeta **volatilidade no segundo semestre de 2026**, com o dólar podendo retornar a níveis acima de R$ 5,30. Isso reforça a ideia de que o patamar atual funciona como uma janela de oportunidade, especialmente para quem já planejava viajar.
Intercâmbio: Planejamento e economia com o dólar em baixa
A queda do dólar também pode ser um incentivo para quem busca programas de intercâmbio nos próximos meses. Christina Bicalho, do STB, explica que antecipar contratos pode gerar economia, pois os programas são tabelados na moeda local do país de destino e o pagamento é feito em real, com a conversão de câmbio do dia do fechamento do contrato. Isso pode representar uma economia significativa.
Programas como High School e férias escolares para adolescentes, com valores aproximados de US$ 9 mil por semestre para High School J1, podem se beneficiar da queda do dólar. Um curso de idiomas de duas semanas em San Diego, por exemplo, custa US$ 518, sem acomodação. A decisão de intercâmbio, contudo, deve ir além do custo-benefício, considerando o orçamento e os objetivos do estudante.
A queda do dólar altera o comportamento do consumidor, tirando viagens do papel, reavaliando destinos e dando protagonismo ao planejamento. O turismo se torna cada vez mais sensível ao câmbio, exigindo estratégia e atenção ao cenário econômico global.