Empresas brasileiras mostram otimismo cauteloso com a economia, mas planos de contratação permanecem moderados, aponta S&P Global
O cenário empresarial brasileiro apresenta um panorama de sentimentos divididos. Enquanto a expectativa é de melhora na atividade econômica e uma tendência de queda na inflação, os planos de contratação e as projeções de lucratividade indicam um tom mais conservador. A pesquisa “S&P Global Brazil Business Outlook” detalha essas nuances, ouvindo milhares de empresas.
A pesquisa, que abrange os setores da indústria e de serviços, capturou opiniões entre 4 e 24 de fevereiro, antes do recente agravamento da guerra no Oriente Médio. Esse contexto internacional, segundo analistas, pode trazer novos desafios para o controle inflacionário e influenciar decisões de política monetária no país.
Apesar dos desafios globais, o otimismo com a atividade empresarial no Brasil registrou um aumento. O saldo líquido da atividade empresarial subiu para 30% em fevereiro, superando os 29% de outubro de 2023. Essa melhora nas projeções de crescimento para o ano, contudo, é temperada por outras preocupações observadas no setor. Conforme divulgado pela S&P Global.
Inflação em Queda, Mas Riscos Persistem
As expectativas de inflação para diversas categorias de preços monitoradas pela S&P Global demonstraram uma tendência de diminuição. No entanto, a diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima, alerta que a guerra no Oriente Médio impõe **novos desafios para o banco central**. Embora a capacidade de produção de energia doméstica possa mitigar parte dos impactos de alta de preços, a interrupção de cadeias globais de suprimentos representa um risco inflacionário.
Esse cenário de incerteza global pode impactar o ritmo e a duração das esperadas reduções nas taxas de juros, potencialmente atrasando o primeiro corte. As empresas também revisaram para baixo seus planos de fixação de preços, com o saldo líquido agregado de custos sobre a produção atingindo o menor patamar em cinco anos, cerca de 30%.
Lucratividade e Contratações em Perspectiva Moderada
A expectativa de aumento na lucratividade das empresas brasileiras também apresentou moderação. O saldo líquido de empresas que preveem lucros maiores caiu para 7%, o menor nível desde o início da pandemia de Covid-19 e abaixo da média global de 12%. Essa cautela reflete um ambiente de negócios que, embora otimista com a atividade, ainda enfrenta pressões.
Em contrapartida, os planos de contratação foram revisados para baixo pela terceira pesquisa consecutiva. O saldo líquido de empregos atingiu 5%, o menor patamar desde junho de 2020. Evidências colhidas pela S&P indicam que essa moderação pode decorrer de **pressões de custo elevadas**, incertezas políticas ligadas às eleições de 2026 e a escassez de mão de obra qualificada.
Otimismo Brasileiro Impulsionado por Fatores Internos e Externos
O otimismo das empresas brasileiras, apesar das ressalvas, é atribuído a diversos fatores. Parcerias internacionais, lançamentos de novos produtos, a expectativa gerada pela Copa do Mundo e a implementação gradual da reforma tributária são apontados como impulsionadores. As companhias também esperam **taxas de juros mais baixas e uma demanda subjacente melhor**.
Adicionalmente, há uma previsão de ganhos de produtividade através de investimentos em inteligência artificial. Dentre os 12 países analisados pela pesquisa, Brasil se encontra em um patamar de otimismo inferior a países como Índia, Irlanda, Reino Unido e Estados Unidos, mas com sinais de melhora em relação a períodos anteriores.
Desafios Adicionais e Perspectivas Futuras
A pesquisa “S&P Global Brazil Business Outlook” destaca que, embora os dados de fevereiro não capturem o impacto total da recente escalada de tensões no Oriente Médio, os efeitos sobre as cadeias de suprimentos globais e os preços de commodities podem reverberar na economia brasileira. A **gestão da inflação e a definição da política de juros** continuam sendo pontos cruciais para o futuro próximo.
A moderação nas contratações, por sua vez, sinaliza que as empresas estão avaliando cuidadosamente seus planos de expansão, ponderando os custos operacionais e as incertezas de longo prazo. A busca por eficiência e a adaptação a novas tecnologias, como a inteligência artificial, podem moldar o mercado de trabalho nos próximos anos.