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Powell no Fed: Presidente Trump em xeque? Entenda o cenário de ‘dois Papas’ no Banco Central Americano

Jerome Powell pode permanecer no Federal Reserve mesmo após o fim do seu mandato como presidente, criando um cenário inédito e de grande impacto para a política monetária americana.

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O mandato de Jerome Powell como presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) termina em 15 de maio. No entanto, ele não precisará deixar o Conselho de Governadores da autoridade monetária americana. Powell tem a opção de continuar no conselho, onde seu mandato se estende até 2028, uma decisão que, embora rara, já ocorreu anteriormente.

A situação remete a 1948, quando Marriner S. Eccles, após não ser reconduzido à presidência do Fed pelo presidente Harry S. Truman, optou por permanecer no conselho por mais três anos. Naquela época, divergências entre Eccles e Truman acabaram por reforçar a independência do Fed em relação ao poder executivo, culminando no Acordo Fed-Tesouro de 1951.

Desta vez, as críticas de Donald Trump a Jerome Powell são públicas e frequentes. O presidente americano já acusou Powell de agir por motivos políticos, apelidando-o de “Mr. Too Late” (Senhor Tarde Demais) devido a decisões sobre as taxas de juros durante a pandemia. Conforme informações divulgadas, a imprensa americana especula que Powell poderia optar por ficar no Conselho para aguardar o desfecho de um caso envolvendo outra diretora do Fed, Lisa Cook, o que poderia reforçar a independência do órgão e limitar as escolhas de Trump para o conselho.

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Um possível “presidente sombra” no Fed

Caso Powell decida permanecer no conselho, ele poderia se tornar uma figura influente, atuando como uma espécie de “presidente sombra”. Essa permanência poderia reduzir o poder de seu eventual sucessor, como Kevin Warsh, nome cotado para o cargo. A situação é comparada pelo Financial Times ao “Grande Cisma do Ocidente”, período em que a Igreja Católica teve dois papas simultaneamente.

Tensões entre Trump e Powell se intensificam

As críticas de Donald Trump a Jerome Powell são um dos pontos centrais dessa discussão. Trump tem acusado o chairman do Fed de servir aos interesses do democrata Joe Biden, manipulando as taxas de juros para fins políticos. Essa tensão pública marca um período de atritos incomuns entre a Casa Branca e a liderança do banco central americano.

Investigações e o caso Lisa Cook

Além das críticas políticas, Powell enfrentou uma investigação do Departamento de Justiça sobre alegações de ter mentido ao Congresso a respeito dos custos da reforma da sede do Fed. Embora o processo tenha sido encerrado recentemente e entregue ao inspetor-geral do Fed, a situação adiciona uma camada de complexidade ao cenário. Adicionalmente, a imprensa dos EUA levanta a hipótese de Powell permanecer no conselho até que o caso de fraude hipotecária envolvendo a diretora Lisa Cook seja resolvido pela Suprema Corte.

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O futuro do Fed e a independência institucional

A decisão de Powell de permanecer no Conselho, se concretizada, pode ter implicações significativas para a independência do Federal Reserve. Ao manter uma figura experiente e potencialmente alinhada com a autonomia da instituição, Powell poderia proteger o Fed de perseguições políticas e judiciais, além de influenciar a política monetária em um período de incertezas econômicas. A coletiva de imprensa do chairman nesta quarta-feira (29) é aguardada com expectativa para mais esclarecimentos sobre seu futuro e o do Fed.

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