Dia das Mães 2026: presentes ‘seguros’ e economia familiar ditam regras, experiências fora de casa perdem espaço
O cenário para o Dia das Mães de 2026 aponta para uma mudança significativa no comportamento do consumidor brasileiro. Se em 2025 as experiências, como jantares e spas, ganharam destaque como presentes, este ano marca um retorno aos presentes tradicionais e mais seguros. Essa transição é impulsionada por um orçamento familiar mais restrito e uma menor disposição para gastos discricionários.
A tendência de priorizar vestuário e cuidados pessoais como presentes se consolida, refletindo uma estratégia de evitar riscos tanto na escolha do mimo quanto no controle dos gastos. A inflação em serviços, como alimentação fora do domicílio, também contribui para essa reconfiguração de prioridades.
Os dados da Elo Performance & Insights revelam que o consumidor busca a segurança de presentes que agradam sem comprometer excessivamente o orçamento. A véspera da data se mantém como o momento crucial para as compras, indicando um padrão de consumo mais planejado, apesar de concentrado em poucos dias.
Presentes ‘seguros’ como protagonistas em 2026
A categoria de vestuário e cuidados pessoais retoma a liderança como os presentes preferidos para o Dia das Mães em 2026. Essas áreas devem registrar um crescimento de cerca de 40% na semana da data, mantendo um ritmo forte e constante observado desde 2024. Essa consolidação se dá pela percepção de que são presentes que agradam e não falham, alinhados a um orçamento mais controlado.
João Vitor Ferreira, gerente executivo de Relação com Investidores & Data Analytics da Elo, destaca que os dados apontam para um consumidor que busca segurança e acerto na escolha do presente. A padronização em roupas, perfumes e acessórios, combinada com a concentração das compras na véspera, evidencia uma estratégia clara de aversão ao risco.
Comemorações em casa ganham força
O setor de bares e restaurantes, que vinha em ascensão, agora mostra sinais de desaceleração. A projeção da Elo para 2026 é de uma estabilização em torno de 3% de crescimento, abaixo do ímpeto de anos anteriores. A leitura é que a celebração do Dia das Mães está, em parte, migrando do restaurante para dentro de casa.
A inflação em alimentos fora do domicílio, que acumulou alta de 6,54% nos 12 meses encerrados em março, segundo o IPCA, contribui para essa mudança. As famílias continuam valorizando o momento juntas, mas buscam formas mais econômicas de celebrar, substituindo serviços pagos pela conveniência e controle de gastos do ambiente doméstico.
Compras de última hora se tornam padrão
A compra na véspera do Dia das Mães deixa de ser um indicativo de desorganização e se consolida como um padrão estrutural no comportamento do consumidor. O sábado que antecede a data deve registrar um aumento de 29% no volume de transações em comparação a um sábado comum, patamar que se repete há três anos.
Nesse dia, as categorias de roupas e acessórios projetam uma alta de 83% nas vendas, enquanto cuidados pessoais devem crescer 78%. Esse comportamento reforça a ideia de uma estratégia de aversão ao risco, onde o consumidor prefere garantir o presente no último momento, mas dentro das categorias consideradas seguras.
Contexto econômico inspira cautela
A relativa estagnação no comportamento de consumo para o Dia das Mães em 2026 está associada a um contexto econômico que inspira cautela. Embora o crescimento de 4% no faturamento total projetado pela Elo não seja desprezível, ele não aponta para um ciclo de expansão robusto. O consumidor demonstra preferência por evitar gastos mais imprevisíveis, como viagens, e contém o impulso em experiências que envolvem consumo adicional com bebidas e deslocamentos.

