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Fraude, Ganância e Carisma: Livro Revela os Personagens das Grandes Crises Financeiras Globais

Fraude, ganância e carisma moldam crises financeiras, revelam autores de “Aventureiros e Larápios”

Por trás de cada grande crise financeira, reside um cérebro astuto, mas frequentemente, duas faces. Essa constatação impulsionou a criação do livro “Aventureiros e Larápios — Histórias de quem abalou ou quase quebrou os mercados”, de Roberto Teixeira da Costa e Fábio Pahim Jr. A obra explora os personagens por trás de alguns dos maiores escândalos financeiros, desde Alves Reis, que abalou Portugal há um século, até Sam Bankman-Fried, símbolo do recente colapso no universo das criptomoedas.

Com décadas de experiência cobrindo os bastidores do mercado financeiro, os autores, Roberto Teixeira da Costa, fundador e primeiro presidente da CVM, e Fábio Pahim Jr., renomado jornalista financeiro, defendem uma tese incômoda: nenhum sistema regulatório, por mais robusto que seja, é capaz de conter completamente a engenhosidade daqueles dispostos a burlá-lo.

“A criatividade daqueles que querem burlar a lei é muito maior do que a capacidade do sistema de se policiar”, afirma Teixeira da Costa. A legislação, por sua vez, jamais será exaustiva, e nem tudo que as regras permitem é necessariamente ético. Conforme divulgado pelo InfoMoney, essa obra, assim como a anterior dos autores, “Crises financeiras: Brasil e mundo (1929-2023)”, foi concluída às vésperas de novos escândalos ganharem as manchetes, demonstrando como a realidade insiste em imitar a ficção.

A Dupla Face dos Grandes Fraudadores

Ao serem questionados sobre pontos em comum entre os responsáveis por essas crises, os autores explicam que não chegaram a um perfil único. No entanto, uma característica curiosa se destaca em quase todos os casos: uma espécie de dupla face. Essas pessoas, frequentemente, apresentavam uma vida social agradável, cultivavam uma boa reputação e, em alguns casos, demonstravam um forte vínculo com o mercado de arte, como no caso de Edemar Cid Ferreira, que apoiava ativamente instituições culturais.

Personagens Marcantes: De Alves Reis ao Barão de Mauá

Fábio Pahim Jr. destaca Alves Reis, um português que, com menos de 30 anos, quase quebrou Portugal ao falsificar a emissão de moeda. Sua fraude, que colocou em circulação cerca de 20% do meio circulante português, desorganizou a economia e teve reflexos políticos significativos. O caso era tão fascinante que o poeta Fernando Pessoa compareceu ao seu julgamento.

Roberto Teixeira da Costa adiciona o Barão de Mauá à lista, ressaltando a importância do timing. Mauá estava à frente de seu tempo, mas a falta de uma estrutura gerencial adequada para acompanhar sua expansão e a perda de apoio político o levaram a dificuldades. Contudo, Mauá quitou suas obrigações com dignidade, mostrando perfis muito distintos entre os envolvidos em crises financeiras.

Ganância em Ambos os Lados da Mesa

A ganância é apontada como um fator crucial, presente tanto em quem causa a crise quanto nas vítimas. Teixeira da Costa explica que a ganância do investidor, que busca retornos irreais, muitas vezes leva ao autoengano, a crença de ser mais esperto que os outros. “A ganância, de fato, é parte central da equação”, pontua.

A autorregulação é vista como essencial, pois o Estado não consegue fazer tudo sozinho. Assim como um semáforo surgiu para organizar o trânsito, a vigilância constante é necessária, pois sempre haverá quem tente contornar as regras, algo que os autores atribuem à natureza humana.

Mercados Aprendem ou Repetem Erros?

Diante de esquemas que reproduzem lógicas antigas, como no caso de Bernie Madoff e Sam Bankman-Fried, surge a questão se os mercados aprendem ou estão fadados a repetir os erros. Teixeira da Costa expressa preocupação com a avaliação de mercado de algumas empresas atuais, questionando se o preço pago por apostas futuras é justificável.

Pahim Jr. complementa, ressaltando que, no Brasil, a cultura do investidor que aceita o risco de perder dinheiro ainda está em desenvolvimento. A lição de 60 anos de mercado de Teixeira da Costa é clara: os mais bem-sucedidos se cercam de gente competente e com opinião própria, capazes de contrariá-los. Em contrapartida, líderes cercados por “yes men” frequentemente encontram o fracasso. “Ninguém será realmente bem-sucedido se não abrir mão de parte do poder. É preciso dividir poder. Não existe milagre.”, conclui.

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