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IA não é a vilã do emprego: Gestor da Itaú Asset revela o verdadeiro risco para o mercado de trabalho em 2026

O mercado de trabalho, e não a Inteligência Artificial, é o principal foco de atenção para o futuro da economia, segundo especialista.

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A inteligência artificial (IA) domina as discussões globais, mas a visão de que ela causará desemprego em massa não encontra eco nos dados atuais, segundo Bruno Bak, head da mesa Artax da Itaú Asset. Para ele, o verdadeiro indicador da saúde econômica dos Estados Unidos em 2026 será o mercado de trabalho, apresentando tanto o maior risco quanto a maior oportunidade.

Bak destaca que a chave para entender o cenário macroeconômico nos próximos meses reside no mercado de trabalho, que se tornou um grande ponto de interrogação. Essa análise parte de um paradoxo observado: enquanto os EUA registraram crescimento econômico acima do potencial, a geração de empregos em 2025 foi a mais fraca fora de períodos recessivos.

A perspectiva apresentada por Bak, que possui quase 25 anos de experiência no mercado financeiro, foi compartilhada no programa Stock Pickers. Ele oferece uma visão estrutural sobre a inteligência artificial e a reconfiguração geopolítica global, fatores que moldam o cenário atual.

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Recuperação gradual do emprego nos EUA é o cenário-base da Artax

A projeção da Artax para os Estados Unidos aponta para uma **recuperação gradual do emprego**. Bruno Bak acredita que uma demanda maior por trabalho impulsionará essa melhora. A expectativa é que o payroll mensal, que em 2025 deve ficar próximo de zero, suba para uma faixa entre 50 mil e 100 mil novas vagas por mês em 2026.

Os fatores que sustentam essa recuperação incluem o estímulo fiscal da iniciativa legislativa conhecida como “One Big Beautiful Bill”, associada ao governo Trump, os cortes de juros já realizados pelo Federal Reserve (Fed) e a resiliência demonstrada pelo consumidor americano. Estes elementos combinados criam um ambiente propício para a retomada da geração de empregos.

IA: disrupção sim, apocalipse do emprego não

Ao abordar a inteligência artificial, Bruno Bak adota uma postura ponderada. Ele reconhece os riscos concretos que a IA já impõe, citando as correções expressivas em empresas de software devido a questionamentos sobre a sustentabilidade de seus modelos de negócio diante da nova tecnologia. No entanto, ele refuta a narrativa mais alarmista sobre o tema.

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“A academia, na sua maior parte, acha que não vai ter um desemprego em massa”, afirma Bak. “Ela acha que vai ter um aumento de produtividade do trabalhador.” Essa visão é embasada em pesquisas acadêmicas recentes e um paralelo histórico com a Revolução Industrial e o advento da internet.

Tanto na Revolução Industrial quanto na era da internet, o temor de desemprego em massa não se concretizou. Em vez disso, houve uma **transformação no perfil das ocupações**. Bak lembra que a internet eliminou certos postos de trabalho, mas também criou novas oportunidades, e a IA, segundo a academia consultada, seguiria essa mesma lógica de evolução.

Produtividade e o futuro das ocupações com a IA

Um dado relevante sobre o estágio atual da IA é que, embora 80% dos CEOs americanos já utilizem a tecnologia em suas operações, a maioria ainda não percebe um ganho real de produtividade. Isso sugere que a IA ainda está em processo de integração e otimização no ambiente corporativo.

“Os dados e as pesquisas ainda dizem que o que parece ser o mais provável não é que a IA vai destruir todos os postos de trabalho, mas que os postos de trabalho vão mudar ao longo do tempo”, reitera Bak. A expectativa é de uma **reconfiguração das funções e habilidades** demandadas pelo mercado.

Contudo, Bak não descarta um cenário alternativo onde a produtividade da IA dispararia silenciosamente, levando as empresas a não voltarem a contratar em larga escala. Nesse caso, os EUA poderiam continuar crescendo com geração de emprego próxima de zero, forçando o Fed a cortar juros de forma mais agressiva. Ele considera este cenário menos provável, mas não impossível.

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