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Santander Brasil em Queda Livre: Ações Despencam 21% e Diferença com Matriz Atinge Recorde Histórico, O que Vem Por Aí?

Santander Brasil Afunda e Desafia Lógica do Mercado: O Futuro é de Privatização?

As ações do Santander Brasil (SANB11) enfrentam um cenário turbulento em 2024, registrando uma queda de cerca de 21%. Este desempenho coloca a unidade brasileira como a pior entre os grandes bancos do país. Em contrapartida, sua controladora na Espanha, o Banco Santander, experimentou uma valorização expressiva de aproximadamente 24%, acentuando uma disparidade de avaliação que atingiu níveis recordes.

Essa divergência se manifesta claramente na relação preço/valor patrimonial, indicando que os investidores estão avaliando as ações do banco brasileiro de forma significativamente diferente de sua controladora. A distância entre as avaliações tem se ampliado desde o início de 2025, período marcado por rumores sobre uma possível aquisição.

A situação tem levado analistas a considerar cenários como a saída do Santander Brasil da bolsa de valores. “Com múltiplos descontados, apenas 10% das ações em livre circulação e a forte geração de capital do grupo, a operação seria financeiramente viável”, aponta Eduardo Nishio, analista da Genial Investimentos, em nota de junho de 2025. A possibilidade de uma oferta pública de aquisição não é descartada por especialistas, dada a histórica volatilidade e as movimentações recentes do grupo.

Um Histórico de Tentativas e Desinvestimentos Globais

Não é a primeira vez que o Santander considera fechar o capital de sua subsidiária brasileira. Em 2014, uma tentativa similar ocorreu através de uma troca de ações com a controladora, mas falhou devido à baixa adesão dos acionistas minoritários. Naquela ocasião, cerca de 10% das ações permaneceram no mercado, representando um valor de aproximadamente R$ 10,6 bilhões.

Desde então, o grupo Santander tem um histórico de desinvestimentos e reestruturações globais. A empresa retirou do mercado a Getnet Adquirencia e Serviços para Meios de Pagamento SA em 2022, fechou o capital de sua unidade de consumo nos EUA em 2021 e removeu sua unidade mexicana da bolsa em 2023. Este ano, o banco integrou o britânico TSB e anunciou a aquisição do americano Webster Financial.

Pressões Internas e Concorrência Acelerada

Apesar da estratégia global de aquisições, a unidade brasileira enfrenta desafios internos. A piora nas condições de crédito na América Latina, somada à pressão de fintechs de baixo custo, impacta diretamente os resultados. O Santander Brasil, com maior exposição ao crédito ao consumidor, mostra-se mais sensível às altas taxas de juros e inflação.

A taxa de inadimplência em 90 dias do banco subiu de 2,8% para 3,3% nos 12 meses encerrados em março, segundo dados da própria instituição. A rentabilidade também está aquém das expectativas, com um retorno subjacente sobre o patrimônio líquido tangível de 14,8% no primeiro trimestre, comparado a 26% da unidade espanhola e 15,2% do grupo. A meta para o Brasil é de 20%.

Mudanças na Liderança e Redução de Custos

O cenário de incerteza é agravado por uma série de saídas de executivos importantes, incluindo o diretor financeiro e o chefe de banco de investimento. Recentemente, Mario Leão, ex-CEO do Santander Brasil, deixou o cargo, sendo substituído por Gilson Finkelsztain. Leão assumiu em 2022, ano em que o banco registrou seus maiores lucros no país.

Em resposta à concorrência de instituições como a Nu Holdings, o Santander Brasil tem implementado medidas de corte de custos, incluindo o fechamento de agências e a redução de pessoal. Nos 12 meses até março, cerca de 6.200 funcionários foram demitidos, representando 11% da força de trabalho local. Metade de todos os fechamentos de agências globais do Santander ocorreram no Brasil.

Perspectivas e Dúvidas para o Futuro

Apesar dos desafios, o Brasil ainda representa mais de um quarto dos funcionários globais do Santander e é considerado uma prioridade estratégica. Analistas do Oddo BHF SCA indicam que o país pode trazer uma “surpresa agradável”, mas dúvidas persistem sobre a capacidade do banco de atingir sua meta de retorno sobre o patrimônio líquido em um mercado interno altamente competitivo.

O CEO global, Hector Grisi, expressou otimismo quanto aos esforços de reestruturação, que incluem o redirecionamento de capital para clientes de alta renda. No entanto, a forte queda nas ações e a crescente diferença de avaliação em relação à matriz levantam questionamentos sobre o futuro da unidade brasileira no mercado de capitais.

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