EUA buscam parceria em minerais críticos no Brasil, mas tensões diplomáticas criam clima de desconfiança
Os Estados Unidos organizaram um evento em São Paulo com o objetivo de fortalecer as parcerias com o Brasil na área de minerais críticos. A iniciativa visava conectar investidores americanos com empresas de mineração atuantes no país, buscando expandir as cadeias de suprimento globais. O evento, que se propunha a ser o maior do governo americano na América Latina para o setor em 2026, acabou sendo marcado por um clima de desconfiança e desgastes diplomáticos entre as duas nações.
A decisão de autoridades federais brasileiras convidadas de não comparecer à conferência sinalizou o impacto das recentes tensões. Um porta-voz da embaixada dos EUA expressou o desejo por uma parceria “ganha-ganha”, mas a participação brasileira foi comprometida por eventos diplomáticos recentes, conforme relatos à Reuters.
A controvérsia ganhou força após um assessor para o Brasil do Departamento de Estado americano, Darren Beattie, solicitar autorização judicial para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. Essa ação foi interpretada por fontes do governo brasileiro como uma tentativa de interferência nos assuntos internos do país, o que levou à revogação do visto de Beattie pelo Itamaraty sob a alegação de “falsas premissas” em seu pedido.
Descontentamento com acordos paralelos e interferência
Outro ponto de descontentamento foi a negociação de um memorando de entendimento na área de minerais críticos entre a embaixada americana e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, um opositor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa foi vista como uma tentativa de contornar o governo federal, segundo uma fonte próxima ao assunto. Apesar disso, Washington manifestou o interesse em assinar um acordo mais amplo com o governo federal brasileiro, com foco no desenvolvimento de capacidade de processamento.
Brasil prioriza processamento local de minerais críticos
O desenvolvimento do processamento doméstico de minerais críticos é uma prioridade para o presidente Lula, conforme destacado por fontes do governo brasileiro. A premissa é que o processamento no Brasil sirva de base para quaisquer políticas ou acordos firmados pelo país na área. Autoridades americanas identificaram um potencial de bilhões de dólares em investimentos e mais de 50 projetos de mineração no Brasil que poderiam diversificar o fornecimento global, diminuindo a dependência da China, que atualmente domina o mercado desses minerais.
Negociações diplomáticas e interesse em visita presidencial
O tema dos minerais críticos está sendo discutido em negociações diplomáticas entre o governo brasileiro e o Departamento de Comércio norte-americano (USTR), com vistas a uma possível viagem de Lula a Washington, ainda sem data marcada. O evento em São Paulo contou com a participação de mais de 100 empresas e representantes de governos estaduais, oferecendo a empresas de mineração a oportunidade de apresentar propostas a investidores americanos.
Oportunidades e desafios na parceria EUA-Brasil
Os Estados Unidos veem o Brasil como um parceiro estratégico fundamental para a segurança de suas cadeias de suprimento de minerais críticos. A diversificação geográfica da produção e do processamento desses materiais é vista como essencial para reduzir vulnerabilidades e riscos geopolíticos. No entanto, as recentes fricções diplomáticas evidenciam a complexidade de se construir uma colaboração sólida e de longo prazo, exigindo confiança mútua e alinhamento de interesses.