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Ex-CEO do Goldman Sachs critica programas de diversidade: ‘Contraproducentes’ e ‘autossabotadores’

Ex-CEO do Goldman Sachs critica programas de diversidade: ‘Contraproducentes’ e ‘autossabotadores’

O assassinato de George Floyd em 2020 impulsionou um movimento global por justiça racial, levando empresas a lançarem iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). No entanto, em menos de cinco anos, o cenário mudou drasticamente. Decisões judiciais e uma nova agenda política nos Estados Unidos esfriaram esses esforços, levando muitas companhias a reavaliar ou reduzir seus programas de DEI.

Nesse contexto, Lloyd Blankfein, ex-CEO do Goldman Sachs, emergiu com críticas contundentes a essas iniciativas, inclusive as implementadas em sua antiga empresa. Em entrevista recente, ele classificou os programas de diversidade como “contraproducentes” e “autossabotadores”, levantando um debate sobre a eficácia e o impacto das políticas de DEI no ambiente corporativo.

A opinião de Blankfein reflete uma tendência observada em diversas empresas da lista Fortune 500, que têm reduzido seus investimentos e compromissos com DEI. A mudança de rumo corporativo, segundo analistas, está atrelada a um novo ambiente político e jurídico, que pressiona por uma readequação das estratégias de inclusão. Conforme informações divulgadas pela Fortune, o ex-CEO expressou suas opiniões em uma entrevista ao CBS Sunday Morning, sobre seu novo livro, “Streetwise: Getting To and Through Goldman Sachs”.

A maré vira contra as iniciativas de DEI

As iniciativas de DEI ganharam força após 2020, com muitas empresas comprometendo bilhões de dólares para promover a equidade racial e a igualdade de gênero. Contudo, a decisão da Suprema Corte dos EUA em 2023 contra programas de ação afirmativa e uma ordem executiva do presidente Donald Trump, que revogou iniciativas federais de DEI, desencadearam uma onda de reavaliação no setor corporativo.

Muitas empresas, como a Target, iniciaram a eliminação gradual de programas de DEI, enfrentando boicotes e críticas de ativistas. Walmart e Pepsi são outros exemplos de companhias que reduziram seus esforços na área, sinalizando uma mudança significativa no cenário corporativo de diversidade.

Críticas de Lloyd Blankfein às políticas de diversidade

Lloyd Blankfein, que liderou o Goldman Sachs por muitos anos, declarou que os “programas especiais que administrávamos para minorias na empresa muitas vezes eram contraproducentes”. Ele argumentou que, ao rotular algo como um programa de reforço ou correção, também se rotula as pessoas que participam dele, o que pode ser prejudicial.

Antes de 2025, o Goldman Sachs mantinha critérios de diversidade para seu conselho e utilizava linguagem inclusiva em seu site, destacando o compromisso com a contratação de pessoas de grupos marginalizados. A instituição financeira, no entanto, suspendeu a exigência de diversidade para empresas que abrem capital, que determinava a presença de dois membros diversos no conselho.

Goldman Sachs se adapta a novo cenário, enquanto outras empresas mantêm o foco em DEI

O Goldman Sachs justificou suas mudanças como uma adaptação ao “novo ambiente jurídico e a realidade dessas transformações legais”. Um porta-voz do banco afirmou à Fortune: “Acreditamos firmemente que nos beneficiamos de perspectivas e experiências diversas e estamos comprometidos em manter programas voltados a atrair os melhores talentos e que estejam em conformidade com a lei.” A empresa também retirou termos como “equidade racial” e “igualdade de gênero” de sua página de diversidade e inclusão.

Por outro lado, algumas empresas como a Apple mantiveram seus esforços em DEI, com uma página dedicada à “equidade racial e justiça” e compromissos com oportunidades para comunidades negras, hispânicas/latinas e indígenas. A Costco, por sua vez, viu mais de 98% de seus acionistas votarem contra uma resolução anti-DEI, demonstrando apoio contínuo a essas iniciativas.

Delta e Cisco também mantiveram seus programas de DEI, com a Delta focando na contratação por habilidades e removendo exigências de diploma, enquanto a Cisco desenvolveu painéis de recrutamento diversos. Blankfein reconheceu que existem outras formas de abordar a diversidade, sugerindo que “programas que promovem o avanço na carreira e a educação para todos devem ser muito bem feitos”, pois ajudariam aqueles que mais precisam, potencialmente incluindo os que se beneficiariam dos programas de DEI.