A suspensão das tarifas vinculadas à Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, IEEPA, pela Suprema Corte dos Estados Unidos pode reduzir barreiras para a venda de pescados brasileiros no mercado americano.
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados, Abipesca, projeta que a exportação de pescados do Brasil alcance cerca de US$ 600 milhões, mesmo diante da possibilidade de uma taxação em torno de 15%.
O setor espera retomada já ao longo de 2026, com recuperação estimada de mais de 5 mil postos de trabalho e recomposição da capacidade produtiva, conforme informação divulgada pela Abipesca.
Impacto das tarifas e a perda de competitividade
O presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, afirma que as tarifas de até 50% impostas pelo governo Donald Trump em 2025 provocaram forte impacto sobre a competitividade das exportações brasileiras, resultando na perda de contratos internacionais, redução da produção, retração da atividade na piscicultura e diminuição de postos de trabalho em toda a cadeia produtiva.
Com a decisão da Suprema Corte, a entidade avalia que o Brasil volta a reunir condições para competir no mercado norte-americano, mesmo que parte da taxação possa permanecer, e que a normalização parcial das condições comerciais deve permitir a retomada do crescimento.
Produtos-chave e mercados
Entre os itens a serem exportadores, a tilápia, principal pescado embarcado para os EUA, está entre os destaques, segundo a Abipesca. A expectativa é que a retomada das vendas americanas ajude a recompor contratos e capacidade industrial.
A projeção de US$ 600 milhões para a exportação de pescados do Brasil reflete a importância dos embarques para os principais mercados, e ressalta a sensibilidade do setor a medidas tarifárias e a dinâmicas comerciais internacionais.
Cautela, esforço do governo e perspectiva para 2026
Para a Abipesca, o novo ambiente comercial, a partir de sexta-feira, 20, com a decisão da Suprema Corte dos EUA, inaugura um ciclo mais positivo para a indústria nacional, embora o momento exija prudência diante das incertezas do comércio internacional.
O presidente da entidade acrescentou, “É um ano que começa de forma promissora para o setor, mas sempre com responsabilidade, cautela e perspectiva e objetivo de taxa zero”, e também ressaltou o papel do governo federal, citando que “Sem esse esforço e a abertura de novos mercados, o prejuízo teria sido ainda maior”, em referência às ações do Ministério da Agricultura e do Ministério da Pesca.
A expectativa divulgada pela Abipesca é de que, com responsabilidade e medidas de apoio, a exportação de pescados do Brasil retome um ciclo de crescimento já em 2026, gerando empregos e fortalecendo a cadeia produtiva.