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Febre Aftosa na China: Surto na fronteira causa abate em massa de gado e reforço em controles

China intensifica medidas drásticas contra surto de febre aftosa na fronteira noroeste, com abate de gado e reforço em controles sanitários.

A China confirmou um pequeno surto de febre aftosa em seu território, o que levou a uma resposta rápida e contundente por parte das autoridades. O país asiático reforçou os controles em suas fronteiras e iniciou o abate de animais em áreas afetadas, buscando conter a disseminação da doença que, segundo o Ministério da Agricultura, teve origem no exterior.

O foco da preocupação está nas províncias de Gansu e na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, onde surtos atingiram rebanhos. A detecção de um novo tipo de vírus, o sorotipo SAT-1, que é endêmico na África, acendeu um alerta, uma vez que as vacinas chinesas existentes não oferecem proteção contra essa cepa específica. A notícia foi divulgada pelo Ministério da Agricultura chinês no último fim de semana.

Analistas do setor apontam que a rápida disseminação do SAT-1, que já afetou outras regiões da Ásia, e sua entrada pela fronteira noroeste, que faz divisa com países como Cazaquistão e Rússia, representam um desafio significativo para a prevenção e controle. Conforme informação divulgada pelo Ministério da Agricultura da China, o surto entrou no país pela fronteira noroeste, uma região que toca o Cazaquistão, a Mongólia e a Rússia.

Novas cepas e desafios na vacinação

A detecção do sorotipo SAT-1 na China é inédita, segundo especialistas. Essa cepa, que se espalhou da África para o Oriente Médio e outras partes da Ásia desde 2015, não é coberta pelas vacinas domésticas que protegem contra os sorotipos O e A, mais comuns na região. Essa falta de proteção aumenta a vulnerabilidade dos rebanhos chineses.

O Ministério da Agricultura chinês informou que o surto afetou 6.229 bovinos nas províncias de Gansu e Xinjiang. As autoridades ordenaram a intensificação das patrulhas nas províncias fronteiriças para impedir a entrada da doença por meio de contrabando ou transporte ilegal de animais. A preocupação é que a rápida disseminação da doença possa causar grandes perdas na produção pecuária.

Preocupações com doenças transfronteiriças

A situação na China se desenrola em um contexto de preocupações com doenças animais transfronteiriças. A Rússia, vizinha da China, também enfrenta um grave surto de doença bovina na região siberiana de Novosibirsk. Embora a Rússia tenha negado qualquer surto de febre aftosa, o histórico de entrada de doenças animais vindas da Rússia na China, como a peste suína africana em 2018 e a febre aftosa em 2000 e 2014, gera apreensão.

Analistas como Even Pay, diretor da Trivium China, sugerem que a China pode impor restrições a produtos pecuários russos se houver evidências de que a transmissão se originou lá. No entanto, a falta de relatos oficiais sobre surtos na Rússia pode dificultar a implementação dessas medidas.

Resposta rápida e desenvolvimento de vacinas

Diante da ameaça, as autoridades chinesas agiram rapidamente, iniciando o abate de animais e a desinfecção de áreas afetadas. A China também acelerou o desenvolvimento de vacinas. Duas vacinas contra o SAT-1, produzidas pela Zhongnong Weite Biotechnology Co., Ltd, receberam aprovações emergenciais e podem chegar ao mercado em cerca de um mês, segundo observadores do setor.

A febre aftosa, segundo o governo chinês, se espalha facilmente, pode causar grandes perdas de produção e tem uma taxa de mortalidade superior a 50% em animais jovens. A transmissão ocorre principalmente por contato direto, mas também pode ser aérea, sendo essa última mais forte do que nos sorotipos A e O. A notícia sobre o surto ocorre em um momento delicado para o setor pecuário chinês, que já enfrenta queda nos preços da carne, excesso de capacidade e demanda fraca dos consumidores.

Impacto no setor pecuário

O setor pecuário da China já vinha enfrentando dificuldades, como a queda nos preços da carne e a fraca demanda dos consumidores. Um surto de febre aftosa, especialmente de uma cepa nova e sem vacina disponível imediatamente, pode agravar ainda mais essa situação. Xu HongZhi, analista da PEQUIM Orient Agribusiness Consultants, alerta que, sem um controle eficaz, os preços do gado podem cair inicialmente e depois subir devido à redução do rebanho.