A queda dos juros não é mais a dúvida central, o debate agora é a velocidade do movimento, e isso muda a escolha entre FIIs expostos ao IPCA ou ao CDI.
No curto prazo, o CDI oferece retorno imediato, já no médio e longo prazo, a exposição ao IPCA tende a revalorizar ativos, portanto a decisão depende do horizonte e do risco.
Gestores já ajustam carteiras, alternando entre IPCA e CDI, com diversificação e prazos mais curtos para operações atreladas ao CDI, conforme informação divulgada pela Fator e pela Éxes Investimentos.
Por que a discussão sobre indexadores voltou com força
Com o mercado precificando cortes graduais na Selic, ativos de risco voltam a ficar mais atraentes, e a reprecificação de títulos atrelados ao IPCA pode elevar o valor patrimonial dos fundos.
Rodrigo Possenti, head de fundos imobiliários da Fator e gestor do VRTA11, afirma, “Quando a gente olha de maneira macro, pensando no médio e longo prazo, a alocação em IPCA faz sentido. Se eu pensar no curto prazo, faz sentido CDI”.
Possenti lembra que, historicamente, cerca de 90% do VRTA11 esteve indexado à inflação, e por isso a preferência estrutural é pelo IPCA em horizontes mais longos, visto que a queda de juros reprecifica esses títulos.
Estratégia prática dos gestores no curto prazo
No curto prazo, com inflação cedendo e Selic ainda elevada, o CDI passa a competir oferecendo retorno imediato, então gestores buscam diversificar e reduzir a concentração em IPCA.
Possenti explica que a meta é levar entre 20% e 30% do fundo para operações atreladas ao CDI, um movimento que será feito aos poucos, e que as operações em CDI serão mais curtas, “de dois e três anos no máximo”.
Ele acrescenta, “Em dois, três anos eu faço uma realocação e não fico preso num CDI longo que pode cair muito”, enfatizando o uso de prazos curtos para evitar travas se a Selic declinar com força.
Leitura da Éxes Investimentos e escolha por spreads
Arthur Carneiro, sócio da Éxes Investimentos, relata que carteiras que antes eram praticamente meio a meio entre IPCA e CDI migraram para maior exposição ao CDI no curto prazo.
Carneiro observa que, ao olhar o spread, operações em CDI+4% ainda são viáveis, enquanto o mesmo nível de prêmio não aparece com facilidade em títulos indexados ao IPCA.
Ele sintetiza a diferença, “Quando você olha para o CDI de curto prazo e NTNB de curto prazo, você não consegue embutir o mesmo nível de spread no IPCA. Se paga CDI+4%, ele não está afim de pagar IPCA+dois dígitos”.
O sócio também pondera sobre o perfil de crédito, “O high grade sempre vai ter espaço, mas os spreads estão muito achatados.” Ele alerta que no high yield “Taxas importantes refletiam riscos bastante relevantes também.”
Como montar uma posição prática em FIIs expostos ao IPCA ou ao CDI
Para investidores, a lição é balancear horizonte e risco, adotando diversificação entre indexadores e escolhendo prazos compatíveis com a expectativa de cortes de juros.
Uma estratégia apresentada pelos gestores é manter uma base de IPCA para proteção e recuperação patrimonial no médio e longo prazo, e alocar parte da carteira em CDI, com prazos curtos de dois a três anos, para capturar retorno imediato.
Gestores também apontam o middle-grade como alternativa, buscando equilíbrio entre proteção e remuneração quando os spreads do high grade estão comprimidos e o high yield exige cautela.
Em resumo, a decisão entre FIIs expostos ao IPCA ou ao CDI passa pela leitura do prazo, pela avaliação dos spreads e pelo ajuste contínuo da carteira conforme o ciclo da Selic evolui.