Fundos multimercado buscam recuperação em meio a alívio nos mercados e volatilidade persistente
Os fundos multimercado apresentaram uma recuperação parcial de suas perdas recentes nesta semana. O alívio nos mercados globais, especialmente após declarações do presidente Donald Trump indicando negociações para encerrar a tensão com o Irã, contribuiu para essa melhora.
O Índice de Hedge Funds da Anbima (IHFA), que monitora 277 fundos multimercado, registrou alta de 0,60% em um dia, reduzindo a perda acumulada no mês para 3,7%. Essa recuperação, embora positiva, ainda não anula os efeitos de um início de mês turbulento.
A performance geral dos fundos multimercado ainda reflete um cenário desafiador, com perdas em alguns casos que podem chegar a 15% em março. No entanto, o desempenho anual ainda é positivo para a maioria, indicando a capacidade de recuperação desses ativos em diferentes cenários. Conforme levantamento da Economática, até o dia 24 de março, 276 fundos multimercado ainda apresentavam ganhos no ano. A volatilidade, contudo, deve permanecer como um fator de atenção para os investidores.
Recuperação impulsionada por fatores externos e internos
A recente melhora no desempenho dos fundos multimercado é reflexo de uma combinação de fatores positivos. A recuperação do Ibovespa, a desvalorização do dólar frente ao real e a alta nas bolsas internacionais proporcionaram um ambiente mais favorável para as aplicações.
Adicionalmente, a queda nos juros de longo prazo beneficiou títulos como as NTN-Bs e papéis de empresas. Muitos fundos multimercado que possuem esses ativos em suas carteiras ou que atuam como fundos de crédito se beneficiaram diretamente dessa movimentação do mercado, como informa a fonte.
Desempenho individual e o impacto da volatilidade
A recuperação de cada fundo multimercado varia consideravelmente de acordo com as posições e estratégias adotadas por seus gestores. Muitos fundos reduziram suas apostas após as perdas iniciais provocadas pela escalada das tensões geopolíticas. Por isso, as perdas individuais ainda são relevantes em alguns casos.
Levantamento da Economática, citado pela fonte, indica que, entre 365 fundos multimercado com patrimônio acima de R$ 500 milhões, apenas 156 não apresentavam perdas em março até o dia 24. Os fundos de crédito privado, com rendimentos de até 3% no mês, foram a maioria entre os que registraram ganhos. Os 209 fundos restantes acumularam perdas de até 15% no período.
Volatilidade deve continuar, exigindo cautela do investidor
Especialistas alertam que ainda é cedo para declarar uma recuperação consolidada para a classe de fundos multimercado. A expectativa é de que a volatilidade no curto prazo permaneça acima da média, com os mercados de risco globais sensíveis a notícias e interpretações de eventos recentes.
Sérgio Samuel dos Santos, economista e especialista em fundos, ressalta que a leitura dos desdobramentos e a consistência das informações divulgadas têm influenciado o comportamento dos ativos. Ele menciona o exemplo de um cessar-fogo de curta duração que gerou uma reação positiva inicial, seguida por reversão nos dias posteriores, evidenciando a instabilidade do cenário.
A consolidação de tendências mais claras no cenário internacional é fundamental para a recuperação da classe. Eventos recentes aumentaram a incerteza, mas os fundos multimercado possuem instrumentos para ajustar posições e buscar retornos consistentes. Fundos com alocação mais rígida podem ter recuperação gradual, enquanto estratégias táticas, como arbitragem, tendem a ser mais ágeis.
Capacidade do gestor é crucial para navegar em cenários de incerteza
A exposição ao risco é um fator determinante, influenciando tanto as perdas em momentos adversos quanto o potencial de recuperação. Alocações mais arriscadas podem gerar maior volatilidade, mas também retomadas mais rápidas. A capacidade do gestor em interpretar o cenário e ajustar as posições de forma dinâmica é central para o desempenho, destaca o especialista.
Fundos long & short, especialmente os de abordagem neutra, tendem a apresentar menor volatilidade relativa, buscando retorno na diferença entre ativos. Já os fundos macro dependem da tendência identificada e do horizonte de investimento. Estratégias de longo prazo geralmente absorvem melhor as oscilações de curto prazo.
À medida que a incerteza diminui, os fundos terão melhores condições de identificar tendências. O atual cenário, influenciado por fatores geopolíticos como a guerra no Irã, adiciona desafios à tomada de decisão. No longo prazo, gestores consistentes podem superar o mercado, com a volatilidade sendo diluída. No entanto, riscos como alavancagem e perdas superiores ao capital investido devem ser considerados.
Em contrapartida, os fundos multimercado oferecem diversificação de estratégias, acesso a diferentes mercados e gestão profissional, o que pode agregar valor ao portfólio do investidor, conclui o especialista.