Golpes em Compras Online Disparam 15%, Mas Valor Médio Cai pela Metade: Entenda a Nova Tática dos Criminosos

As tentativas de golpes em compras online apresentaram um aumento expressivo de 15,5% em abril, comparado ao mesmo período do ano anterior. No entanto, um detalhe chama a atenção: o valor médio de cada fraude caiu de R$ 1,8 mil para R$ 814. Essa mudança na estratégia dos criminosos visa burlar os sistemas de detecção, focando em um volume maior de transações de menor valor.

O cenário de fraudes digitais se adapta rapidamente às condições econômicas e tecnológicas. Com o endividamento crescente das famílias brasileiras e a possível redução de limites de crédito, transações de menor valor se tornam mais propensas a serem aprovadas, tanto para consumidores legítimos quanto para fraudadores.

Essa pulverização dos golpes em valores menores é uma tática inteligente para se manter sob o radar dos mecanismos de segurança. Entenda como essa nova abordagem funciona e quais os riscos para os consumidores e empresas no ambiente online. Conforme informações divulgadas pelo Índice de Fraude da Equifax Boa Vista, a adaptação dos infratores é constante.

A Estratégia de ‘Tickets Pequenos’ para Evitar Detecção

Márcio Souza, superintendente de Operações Antifraude da Equifax BoaVista, explica que a estratégia de realizar golpes com valores menores é uma forma de reduzir a exposição aos mecanismos de detecção. Operações com valores reduzidos tendem a passar despercebidas em análises automatizadas, que frequentemente priorizam transações de montantes mais elevados.

“Operações menores tendem, em alguns casos, a parecer menos suspeitas, especialmente quando o fraudador consegue simular padrões próximos ao comportamento normal do consumidor”, afirma Souza. Essa tática visa aumentar as chances de aprovação das operações fraudulentas, ao diluir o risco em diversas transações de baixo valor.

Golpistas Se Adaptam ao Cenário Econômico Brasileiro

Os criminosos digitais demonstram uma notável capacidade de adaptação ao acompanhar a dinâmica do mercado. Em um cenário de maior endividamento e restrições de crédito, as transações de menor valor se tornam um alvo mais viável e com maior probabilidade de aprovação. Os fraudadores atuam como uma ‘operação de inteligência orientada por dados’, priorizando volume e menor exposição.

“Em vez de buscar apenas grandes golpes, muitas organizações criminosas passam a priorizar volume, pulverização e menor exposição, tentando permanecer abaixo dos limites de risco percebidos pelos sistemas automatizados”, detalha Souza. Para eles, não existe crise econômica, apenas a busca por maximizar ganhos em menor tempo e com menor risco de detecção.

Técnicas Sofisticadas e o Papel da Inteligência Artificial

As infrações no ambiente digital incluem uma gama variada de táticas, como fraude de identidade, invasão de contas e uso de cartões roubados. A criação de ambientes falsos que simulam varejistas conhecidos, oferecendo descontos agressivos, é uma tática recorrente para roubar dados pessoais e bancários.

O uso de inteligência artificial tem elevado o nível de sofisticação dos golpes. Phishing, falsas centrais de atendimento e links fraudulentos se tornam mais convincentes, com a possibilidade de uso de deep fakes de voz e mensagens altamente personalizadas. Essa evolução exige maior atenção e educação digital por parte dos usuários.

Medidas de Proteção para Consumidores e Empresas

Para combater o avanço das fraudes, os sistemas de proteção analisam diversas variáveis em tempo real, como histórico do consumidor, dispositivo utilizado e geolocalização. A Equifax BoaVista, por exemplo, reteve 311,5 mil transações com confirmação de fraude em abril, bloqueando R$ 253,7 milhões.

As plataformas antifraude avaliam uma combinação de fatores comportamentais, cadastrais, transacionais e contextuais. Para os consumidores, medidas como o uso de cartões virtuais temporários, autenticação em dois fatores e o acompanhamento rigoroso dos extratos bancários são essenciais. A adoção de e-mails distintos para compras e serviços financeiros, e a limitação de permissões em aplicativos de celular também reforçam a segurança.

É fundamental desconfiar de ofertas excessivamente vantajosas, verificar a segurança e a reputação dos sites, e manter dispositivos e aplicativos sempre atualizados. Evitar clicar em links suspeitos, mesmo que pareçam legítimos, é uma das principais defesas contra a engenharia social sofisticada utilizada pelos criminosos.

By Vanessa