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Grandes Bancos Centrais Mantêm Opções Abertas: Juros Sobem e Fed Atraso Cortes Diante de Inflação e Guerras

Grandes Bancos Centrais em Alerta: Juros em Alta e Futuro Incerto para a Economia Global

Quase todos os principais bancos centrais de mercados desenvolvidos mantiveram suas taxas de juros nesta semana, mas com um olhar atento à inflação. A preocupação é com um possível choque energético decorrente dos conflitos no Oriente Médio, que pode impulsionar ainda mais os preços.

Operadores de mercado já reajustaram suas expectativas. As apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos foram adiadas, enquanto outros bancos centrais, como o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra (BoE), já veem a possibilidade de aumentos nas taxas.

A Austrália se destaca, com seu banco central já em modo de alta e promovendo mais um aumento de juros. Essa postura reflete a crescente preocupação com a inflação persistente em diversas economias desenvolvidas, conforme divulgado pela Reuters.

Austrália Lidera o Aumento de Juros em Mercados Desenvolvidos

O banco central da Austrália foi o primeiro a elevar a taxa de juros pelo segundo mês consecutivo, atingindo 4,1%. A autoridade monetária alertou para um risco “material” para a inflação, citando a guerra como um fator de preocupação. O núcleo da inflação na Austrália atingiu 3,4% em janeiro, o maior patamar em 16 meses, e a tendência é de alta.

Os mercados financeiros australianos já precificam pelo menos mais dois, e possivelmente três, aumentos de juros ainda este ano. Isso levaria as taxas a superarem o pico registrado no final de 2023, indicando uma política monetária mais restritiva.

Fed Atraso Cortes e Europa Considera Novos Aumentos

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. No entanto, o tom considerado “hawkish” (tendência a juros mais altos) do presidente Jerome Powell fez com que as expectativas de cortes de juros fossem adiadas para 2027. Anteriormente, os mercados esperavam duas reduções este ano.

Powell destacou os desafios para controlar a inflação, incluindo tarifas e a alta nos preços da energia devido à guerra, afirmando que o Fed pode não conseguir tratar esse último como um choque transitório. O Fed também projetou uma inflação mais elevada para este ano.

Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu manteve as taxas inalteradas, mas fontes indicam que discussões sobre aumentos podem começar em abril. Os mercados agora antecipam mais de dois aumentos de 25 pontos-base na taxa de depósito, atualmente em 2%. Há uma percepção de que as autoridades europeias, criticadas por agirem tarde demais na inflação passada, podem ser mais rápidas desta vez.

Outros Bancos Centrais Mantêm Vigilância e Mercado Antecipa Mudanças

O Banco da Inglaterra manteve a taxa em 3,75%, mas o comunicado pós-reunião foi visto como “hawkish”, com 50% de chance de um aumento até abril e possíveis três altas até o fim do ano. O banco alertou para o risco de expectativas de inflação mais altas se consolidarem.

A Noruega, com inflação persistente, se reúne na próxima semana e um aumento de juros é esperado pelos mercados. A Nova Zelândia, apesar de ter reduzido juros agressivamente, também vê o mercado precificando aumentos futuros. O Canadá manteve a taxa em 2,25%, mas o presidente alertou sobre a disposição de aumentar os custos de empréstimos se a inflação persistir.

O Banco do Japão manteve a taxa em 0,75%, a máxima em 30 anos, mas o foco do banco central parece estar mais voltado para os riscos de alta da inflação do que para os riscos de queda no crescimento. Já o Banco Nacional da Suíça manteve a taxa em 0%, a mais baixa entre os principais bancos centrais, e sinalizou prontidão para intervir contra a valorização do franco suíço.