Haddad critica juros altos no Brasil e vê espaço para queda, citando guerra e indicadores econômicos.
Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, expressou nesta sexta-feira, 1º de maio, sua insatisfação com os atuais níveis da taxa de juros no Brasil. Segundo ele, a Selic está em patamares elevados sem uma justificativa clara, mesmo considerando o cenário de instabilidade internacional.
O político destacou que, embora a guerra no Oriente Médio, mencionada como um fator de instabilidade global, seja um episódio grave, já existia a possibilidade de uma redução mais expressiva nos juros. A declaração foi feita durante um evento em comemoração ao Dia do Trabalho em São Bernardo do Campo, São Paulo.
A fala de Haddad ocorre após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ter decidido, na última quarta-feira, 29, por mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. Com isso, a taxa básica de juros caiu de 14,75% para 14,50% ao ano, marcando a segunda reunião consecutiva com redução.
PEC 6×1 e Demandas Trabalhistas
Questionado sobre possíveis reveses recentes no Congresso Nacional, que poderiam impactar a tramitação da PEC 6×1, Haddad buscou separar os assuntos. Ele ressaltou que a proposta da redução da jornada de trabalho é uma demanda direta dos trabalhadores.
“Não, vamos separar as coisas”, afirmou Haddad. Ele enfatizou que o 1º de maio é um momento para celebrar as conquistas do governo, mas também para apresentar ao Congresso Nacional, que representa os trabalhadores, a urgência em discutir a jornada de trabalho. A PEC 6×1 visa justamente reduzir a jornada de trabalho sem diminuição salarial.
Críticas a Aldo Rebelo e Indicadores Econômicos
Em outra frente, Fernando Haddad comentou a declaração do ex-ministro Aldo Rebelo (DC), que classificou a economia brasileira como um “voo de galinha”. Haddad lamentou a fala de Rebelo, sugerindo que ele não estaria acompanhando os indicadores de crescimento do país.
“Eu acho que ele não está acompanhando os indicadores de crescimento, comparando o governo Lula com o governo que ele apoiou. Eu até lamento por ele, porque ele tinha uma trajetória interessante. E aí, derrapar desse jeito nessa idade, eu fico, eu lamento. Tinha um apreço por ele”, declarou Haddad, demonstrando decepção com a crítica.
Juros Altos e o Cenário Brasileiro
A crítica de Haddad aos juros altos reforça o debate sobre a política monetária no Brasil. Embora o Copom tenha iniciado um ciclo de cortes, a velocidade e a magnitude dessas reduções são alvo de discussões, especialmente em um contexto de inflação sob controle, mas ainda com desafios.
A guerra no Oriente Médio, mencionada pelo ex-ministro, adiciona uma camada de complexidade ao cenário econômico global, impactando cadeias de suprimentos e preços de commodities. No entanto, Haddad insiste que, mesmo com esses fatores externos, o Brasil teria condições de oferecer uma taxa de juros mais atrativa para o investimento e o consumo.
A expectativa é que os próximos comunicados do Banco Central e as decisões do Copom continuem a ser monitorados de perto, tanto pelo governo quanto pelo mercado, em busca de um equilíbrio entre o controle inflacionário e o estímulo ao crescimento econômico, com a queda da Selic sendo um dos principais focos.