Guerra no Oriente Médio: O impacto do conflito nos preços de energia e na indústria brasileira
A intensificação dos conflitos no Oriente Médio lança uma sombra sobre a economia brasileira, especialmente sobre o setor industrial. O temor é que o aumento dos preços do gás natural e da energia elétrica gere um efeito cascata nos custos de produção, caso a guerra se prolongue.
Essa preocupação, segundo o Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (Coinfra/CNI), está diretamente ligada à dinâmica dos mercados globais de energia. O envolvimento de potências como Estados Unidos, Israel e Irã, e o fechamento de rotas de transporte cruciais como o Canal de Ormuz, já provocam reações nos preços internacionais.
O barril de petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 100, enquanto o índice JKM, referência para o gás natural liquefeito (GNL) na Ásia, registrou um avanço de cerca de 50%. Essa instabilidade pode se traduzir em custos mais altos para o Brasil, impactando diversos setores da economia nacional, conforme avaliação da CNI.
Preços de energia em alta: O efeito dominó no Brasil
A relação entre os contratos de gás natural utilizados pela indústria brasileira e o preço do Brent, juntamente com a indexação do combustível para termelétricas ao JKM, significa que a alta internacional tende a ser repassada para os custos internos. Como esses contratos são reajustados trimestralmente, a persistência do conflito agrava o risco de aumento gradual nos preços.
A produção de fertilizantes, essencial para o agronegócio, utiliza o gás natural como insumo fundamental. Um aumento no custo deste gás pode, consequentemente, elevar os custos para o setor agrícola, afetando o bolso do consumidor final. A indústria química, siderurgia, petroquímica, cerâmica e vidro, setores intensivos em energia, também sentem essa pressão.
Impacto no setor elétrico e investimentos futuros
O setor elétrico brasileiro também está na mira. Com 178 usinas termelétricas a gás natural, que representam aproximadamente 9% da matriz elétrica nacional, o encarecimento do combustível tende a tornar a produção de energia mais cara. Isso pode se refletir diretamente nas tarifas pagas pelos consumidores.
Além disso, a volatilidade no mercado internacional de GNL aumenta a percepção de risco para projetos de energia ainda não contratados. Isso pode afetar decisões de investimento e a futura expansão da oferta de energia no país, um ponto de atenção para a indústria nacional.
Perda de competitividade e a busca por soluções
O Brasil já enfrenta um custo de gás natural elevado em comparação com outros países. A alta adicional provocada pelo conflito no Oriente Médio pode agravar ainda mais a perda de competitividade da indústria nacional. A situação é ainda mais delicada com a aproximação de reajustes em diversos contratos de fornecimento de gás natural, previstos para maio de 2026.
Diante desse cenário, a CNI defende a adoção de medidas para mitigar os efeitos da escalada de preços. O presidente do Coinfra/CNI, Alex Dias Carvalho, ressalta a necessidade de discutir ações para proteger os consumidores e a economia brasileira, garantindo a manutenção da competitividade da indústria nacional diante da instabilidade internacional.
Um conflito geopolítico, mesmo distante, pode ter consequências diretas na conta de energia e na produção industrial, impactando o consumidor final. A CNI busca, com suas análises, alertar para a necessidade de planejamento e ação frente a esses desafios globais.