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Guerra no Oriente Médio impulsiona Brasil: Gringos apostam alto em bancos e commodities, ignorando eleições

Brasil atrai olhares de investidores estrangeiros em meio a conflitos globais, com foco em bancos e commodities.

Mesmo com a tensão gerada pela guerra no Oriente Médio, o Brasil emerge como um destino atrativo para fundos de investimento internacionais. Relatos de reuniões em Nova York e Boston indicam um apetite significativo dos estrangeiros pelo mercado brasileiro, especialmente em setores como bancos, infraestrutura e commodities. Essa confiança se mantém firme, mesmo diante de eventos geopolíticos inesperados que desestabilizam outros mercados emergentes.

A análise do posicionamento de grandes fundos multimercados brasileiros revela que muitos foram pegos de surpresa pelo conflito, apostando em mercados emergentes em alta. No entanto, essa turbulência não diminuiu o interesse global pelo Brasil. Pelo contrário, o país é visto como um ponto de estabilidade e oportunidade, impulsionado por fundamentos econômicos sólidos e um cenário de exportação favorável, especialmente no setor de petróleo.

Apesar de alguns receios pontuais em relação a crédito estruturado, que pedem garantias soberanas, e o monitoramento de casos específicos como CSN e Raízen, a eleição presidencial brasileira não figura entre as principais preocupações dos investidores estrangeiros. O consenso é que o Brasil oferece um prêmio de risco atraente, com juros reais elevados e câmbio comportado, tornando seus ativos subvalorizados diante de seu potencial.

A atratividade do Brasil para investidores globais

Lucas Collazo, gestor de portfólio da XP Advisory, retornou de uma rodada de reuniões em Nova York e Boston com um termômetro revelador sobre a percepção do Brasil no exterior. Ele destacou o grande interesse dos investidores estrangeiros, que buscam entender quais setores comprar, quais tendências se consolidarão e quais oportunidades de captação de recursos surgirão. O slogan “MENGA — Make Emerging Markets Great Again”, cunhado por um grande hedge fund, ilustra o otimismo em relação aos mercados emergentes, com o Brasil liderando essa retomada.

O dólar como refúgio e o contraponto brasileiro

Durante o recente choque de mercado provocado pelo conflito, o dólar se mostrou como o único ativo de proteção, justamente por ser um ativo contra o qual muitos estavam posicionados. Quem estava vendido em dólar sofreu perdas duplas. Essa dinâmica ressalta a imprevisibilidade dos mercados em momentos de estresse, onde eventos inesperados podem reverter posições estabelecidas. No entanto, o fluxo estrangeiro na bolsa brasileira permaneceu positivo, tanto em caixa quanto em derivativos, mesmo em março, mês de maior turbulência.

Incertezas sobre a duração do conflito e seus impactos

A grande incógnita que paira sobre gestores no Brasil e no exterior é a duração do conflito no Oriente Médio e seus impactos na recuperação do mercado de petróleo. Se a guerra terminar rapidamente e o fluxo pelo Estreito de Ormuz for restabelecido sem danos significativos à infraestrutura, a recuperação dos mercados pode ser ágil. Contudo, ataques diretos à infraestrutura energética poderiam demandar meses de reconstrução, prolongando a volatilidade. “Tudo vai depender da duração do conflito e da intensidade, e como isso se traduz na recuperação do mercado de petróleo”, afirmou Alexandre Aagesen, gestor de portfólio da XP Advisory, no programa Stock Pickers.

Oportunidades em bancos, infraestrutura e commodities

O Brasil é visto como o principal representante da América Latina nos investimentos estrangeiros, devido ao seu peso nos índices globais e à liquidez do mercado. Setores como bancos, infraestrutura e commodities são os de maior interesse. Essa preferência é sustentada pela perspectiva de que a tendência estrutural de rotação de capital dos Estados Unidos para emergentes se reafirmará após a dissipação do conflito. Os investidores buscam oportunidades em um cenário de juros reais elevados e câmbio comportado, que tornam os ativos brasileiros mais atraentes.