Howard Marks afirma que a inteligência artificial expulsará muitos gestores, e que os investidores de sucesso serão fortes em julgamento qualitativo, risco intuitivo e lidar com situações inéditas
A inteligência artificial mudou em ritmo acelerado, e sua capacidade de processar dados e reconhecer padrões ameaça eliminar parte dos investidores ativos.
Segundo Howard Marks, copresidente da Oaktree Capital Management, quem ficar no mercado vai adicionar valor em áreas que a IA ainda não domina.
O texto de Marks foi escrito com ajuda do modelo Claude, da Anthropic, e mostra como habilidades humanas podem se tornar diferenciadoras, conforme informação divulgada pela Bloomberg.
IA, indexação e a pressão sobre gestores
Marks compara a onda de adoção de IA ao efeito da indexação, que já afastou muitos gestores que não agregavam valor. Ele afirma que a IA, por ser “extremamente competente em absorver dados e identificar padrões”, tenderá a substituir rotinas analíticas e funções mecanicistas.
Como resultado, haverá menos vagas no setor, e apenas profissionais capazes de exercer tarefas qualitativas e inéditas tendem a justificar sua permanência.
O que a IA não faz bem, segundo Marks
Para Marks, grandes investidores precisam ser fortes em áreas em que a IA “talvez seja mais fraca”, como avaliar a competência da gestão, julgar a importância de um novo produto, e lidar com desenvolvimentos sem precedentes.
Ele escreve que “Grandes investidores são muito mais do que processadores de dados rápidos e impassíveis”, e que decisões subjetivas, como escolher contrapartes, exigem gosto e julgamento humano.
Percepção de risco e emoção, vantagens humanas
Outra vantagem citada por Marks é que a IA não sente o peso emocional de ter capital em risco. A tecnologia “não sente o peso de posições concentradas ou o medo de perda de capital”, e por isso perde uma forma de intuição que investidores humanos desenvolvem.
Nas palavras de Marks, “Os melhores investidores percebem o risco potencial de forma intuitiva, e isso contribui enormemente para seu sucesso”, uma qualidade que ele considera difícil de replicar por modelos.
Autonomia da IA, grandes empresas e recomendações
Marks diz estar surpreso com a velocidade da evolução do Claude e da tecnologia de IA em geral. Ele prevê um movimento em que agentes de IA agirão com autonomia, executando tarefas a partir de objetivos e restrições definidos por humanos.
Empresas como Microsoft e Alphabet destinam grandes volumes de capital à tecnologia, e embora seus preços possam estar sobrevalorizados ou subvalorizados, Marks considera que não são “absurdamente excessivos”.
Por fim, ele alerta que, assim como a indexação eliminou empregos de muitos investidores ativos, a IA “provavelmente vai elevar essa barra ainda mais”, deixando espaço apenas para aqueles que agregarem valor em competências qualitativas e julgamento.
Palavra-chave: Howard Marks IA