CEOs Americanos Reconfiguram Força de Trabalho com IA: O Foco no Custo Marginal de Mão de Obra
A inteligência artificial (IA) está redefinindo as estratégias corporativas nos Estados Unidos. Longe de debates sobre substituição em massa, os CEOs focam em uma métrica chave para otimizar suas operações e impulsionar o crescimento: o custo marginal de mão de obra. Essa métrica, segundo Tim Walsh, CEO da KPMG nos EUA, é fundamental para entender como a IA está moldando o futuro do trabalho e as decisões de contratação.
A pergunta central nas salas de reuniões é como otimizar a combinação entre mão de obra humana e tecnologia. O objetivo é claro: reduzir o custo marginal de mão de obra para aumentar o volume total de negócios e, consequentemente, o crescimento líquido. Essa abordagem, embora silenciosa, é o motor por trás de grandes investimentos em IA.
Uma pesquisa recente da KPMG com 100 CEOs nos EUA, a Pesquisa Pulso de Perspectivas de CEOs da KPMG nos EUA para 2026, indica que essa transição está acelerando. Embora 77% dos executivos considerem a IA generativa superestimada no curto prazo, a maioria subestima seu potencial disruptivo nos próximos cinco a dez anos. As informações são da Fortune.
A Nova Métrica Para Decisões de RH: Custo Marginal de Mão de Obra
Tim Walsh, presidente do conselho e CEO da KPMG nos Estados Unidos, destaca o conceito de custo marginal de mão de obra como a métrica que está silenciosamente moldando as decisões corporativas. Ao invés de focar apenas na receita por funcionário ou na produtividade geral, as empresas agora analisam o custo de adicionar uma unidade a mais de trabalho humano em relação ao custo da tecnologia.
“Em cada um dos meus projetos”, disse Walsh à Fortune, “a pergunta é: Qual é a minha combinação de mão de obra? Qual é a minha combinação de tecnologia? E qual é o custo total para entregar esse projeto?” Ele antecipa que o custo de mão de obra diminuirá, enquanto os custos de tecnologia aumentarão, permitindo que os negócios processem um volume muito maior de trabalho.
Investimento Massivo em IA e a Reconfiguração do Mercado de Trabalho
A pesquisa da KPMG revela um cenário de investimento significativo em IA. Quase 80% dos CEOs destinam pelo menos 5% de seus orçamentos de capital para a tecnologia, e 41% investem 10% ou mais. Essa alocação de recursos rivaliza com o auge da transição para a computação em nuvem, que levou uma década para remodelar a economia.
Apesar da incerteza sobre o formato exato do futuro do trabalho, 55% dos CEOs preveem um aumento nas contratações no próximo ano. Na KPMG, por exemplo, o número total de funcionários não diminuiu, mas a composição mudou drasticamente. A empresa está contratando mais tecnólogos e profissionais que atuam como “orquestradores”, gerenciando fluxos de trabalho complexos para garantir eficiência e qualidade.
Novos Cargos e Profissões em Ascensão na Era da IA
A KPMG está ativamente buscando profissionais para novas funções, como estrategistas de adoção de agentes de IA, responsáveis por alinhar a tecnologia à estratégia corporativa. Há também demanda por engenheiros de orquestração de agentes de IA, que conectam ferramentas e fluxos de trabalho, e gerentes de operações de agentes de IA, que supervisionam o desempenho diário.
Essa nova estrutura de trabalho, conforme descrito por Walsh, não foca na eliminação de empregos, mas em uma estratificação. As funções mais vulneráveis são aquelas que envolvem tarefas repetitivas, onde os funcionários executam a mesma atividade diariamente. Para outros profissionais, o trabalho envolve mais construção de relacionamentos, geração de negócios e tomada de decisões complexas, aspectos que nem sempre se encaixam perfeitamente em soluções automatizadas.
Desafios na Liderança e Preparação para o Futuro
Um dado preocupante da pesquisa é que dois terços dos CEOs admitem não ter redefinido funções ou trajetórias de carreira para incorporar a IA. Além disso, 31% dos executivos expressam preocupação com a redução das oportunidades para que funcionários em início de carreira desenvolvam capacidade de julgamento através da experiência prática. O receio é que isso possa formar uma geração de gestores sem a vivência necessária para tomar decisões autônomas.
A pressão para acompanhar o ritmo da inovação em IA e gerenciar os riscos associados é vista por 60% dos CEOs como o fator mais importante para a prosperidade de suas organizações nos próximos três anos. A necessidade de automatizar mais rápido que os concorrentes e encontrar ganhos de produtividade antes que os investidores exijam é uma realidade palpável.
“É estressante se você não está investindo, se não está acompanhando”, afirmou Walsh. “Porque, se você não acompanha, corre o risco de perder participação de mercado.” A conclusão é que, embora as máquinas não estejam assumindo o controle, os líderes das maiores empresas dos Estados Unidos estão recalculando silenciosamente o número de humanos necessários, e esse número tende a ser significativamente menor do que no passado.