Ibovespa caiu na manhã desta segunda-feira, em um movimento influenciado pela escalada do conflito no Oriente Médio, mas foi parcialmente contido pelo forte avanço das ações da Petrobras.
O recuo do índice ocorreu num momento de busca por ativos considerados mais seguros, com investidores reduzindo exposição ao risco, enquanto o preço do petróleo reagiu com alta significativa no mercado internacional.
Os dados e comentários sobre o pregão foram divulgados durante a manhã, conforme informação divulgada pela Reuters.
Detalhes do pregão e números imediatos
Movimento do mercado e volume
Por volta de 10h40, o Ibovespa cedia 0,46%, a 187.926,43 pontos, e o volume financeiro somava R$3,26 bilhões, de acordo com as informações do pregão.
O índice vinha ainda de um desempenho mensal positivo em fevereiro, com ganho de 4% no mês anterior, apoiado pelo fluxo de capital externo, que até o dia 25 mostrava um saldo positivo superior a R$15 bilhões.
Por que a aversão a risco aumentou
Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no sábado, com Teerã respondendo com mísseis contra Israel e países vizinhos do Golfo, em uma sequência de ações que elevou a percepção de risco global.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, afirmou que levará tempo para atingir os objetivos militares no Irã, e que os Estados Unidos continuam a enviar tropas adicionais para o Oriente Médio, mesmo após o grande reforço militar, o que mantém os mercados em alerta.
Na avaliação de instituições do mercado, a reação foi imediata, com busca por segurança e reprecificação de ativos sensíveis ao risco.
Setores e papéis mais afetados
O movimento negativo no mercado deixou em queda o setor bancário do Ibovespa, com ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) caindo 1,25% e BRADESCO PN (BBDC4) perdendo 1,75%.
Outros bancos também recuaram, com BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) recuando 1,04%, SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) cedendo 1,25% e BTG PACTUAL UNIT (BPAC11) caindo 1,37%.
O setor de consumo e o imobiliário também registraram pressão, MAGAZINE LUIZA ON (MGLU3) recuando 3,64% em meio ao avanço nas taxas dos contratos de DI, e MRV&CO ON (MRVE3) cedia 2,73%, refletindo a combinação entre juros mais altos e menor apetite a risco.
A BRASKEM PNA (BRKM5) caiu 3,44%, com o papel tendo de pano de fundo uma prévia operacional que mostrou queda nas vendas de resinas e principais químicos no Brasil, além de menor taxa de utilização das centrais petroquímicas, números divulgados após o pregão da sexta-feira.
Petrobras e o impacto do petróleo
Enquanto isso, a alta dos combustíveis no exterior impulsionou a reação das ações de energia. PETROBRAS PN (PETR4) disparava 4,5%, e PETROBRAS ON (PETR3) valorizava-se 4,21%.
O barril de petróleo Brent subiu 8,7%, para US$79,21, acompanhando o aumento de tensão entre as potências e a escalada no Oriente Médio, o que elevou o preço da commodity e beneficiou papéis do setor.
Outras empresas ligadas à produção de petróleo também avançaram, como PRIO ON (PRIO3), com alta de 4,7%, BRAVA ON (BRAV3), com elevação de 3,76%, e PETRORECONCAVO ON (RECV3), com acréscimo de 2,92%.
Em função do início de um novo conflito armado, os mercados acionários começam o mês de março despencando mundo afora, afirmou a Ágora Investimentos, em relatório a clientes.
Em momentos como este, os ativos considerados mais seguros tendem a registrar forte demanda, à medida que os investidores reduzem exposição ao risco em suas carteiras, o que deve continuar provocando ajustes para além da sessão de hoje, a depender da evolução dos acontecimentos, acrescentou a Ágora Investimentos.
Perspectiva para os próximos dias
Os futuros acionários nos Estados Unidos apontavam abertura negativa em Wall Street, e bolsas europeias seguiam a mesma tendência, o que sugere probabilidade de continuidade da volatilidade.
Analistas destacam que a evolução dos acontecimentos no Oriente Médio será determinante para o comportamento do Ibovespa nos próximos dias, com possíveis novas ondas de aversão a risco levando investidores a realocar carteiras.
Do lado doméstico, a atenção também volta para os desdobramentos corporativos, como o balanço trimestral da Petrobras, esperado para quinta-feira após o fechamento do mercado, e para indicadores que possam alterar a percepção sobre juros e crescimento.
Em suma, a sessão mostrou como o entorno externo, sobretudo a alta do preço do petróleo, pode limitar perdas de papéis de energia, enquanto setores mais sensíveis a juros e ao apetite a risco tendem a sofrer, o que mantém o Ibovespa em uma posição de vigilância até que haja maior clareza sobre os desdobramentos internacionais.