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Imposto de importação maior: Haddad diz que aumento visa trazer fábricas ao Brasil, proteger produção e pode reforçar caixa em R$ 14 bilhões por ano

Haddad afirma que o aumento do imposto de importação tem caráter regulatório, busca trazer empresas e fábricas para o Brasil, proteger a produção nacional e reforçar receitas do governo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, justificou o aumento do imposto de importação sobre mais de mil produtos como uma medida para fortalecer a indústria instalada no país.

Segundo o governo, a mudança tem caráter regulatório e visa, sobretudo, atrair produção para o território nacional, reduzindo distorções que afetam fabricantes brasileiros.

As informações e dados foram divulgados pelo governo, conforme informação divulgada pelo g1.

Justificativa oficial e citação do ministro

Ao explicar a decisão, Haddad afirmou, de forma direta, a razão esperada para a alteração, “Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional”, afirmou o ministro após retornar de viagem à Índia e à Coreia do Sul, onde acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministério descreve o aumento do imposto de importação como ferramenta regulatória, com possibilidade de revisão pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, inclusive com redução ou zeragem das alíquotas se necessário.

Quem é afetado, marcas e produção local

O reajuste alcança setores que dependem de compras internacionais, entre eles smartphones, caldeiras, geradores, turbinas, fornos industriais, robôs industriais, empilhadeiras, tratores, plataformas de perfuração, navios, aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos e equipamentos laboratoriais.

De acordo com o governo, “mais de 90% dos itens afetados são fabricados no Brasil”, o que, segundo a equipe econômica, reduz o efeito sobre o consumidor final.

No caso dos celulares, o Mdic informou que “a medida não atinge aparelhos produzidos no Brasil, que representam 95% do mercado nacional em 2025. Apenas 5% são importados.” Entre as marcas, a Xiaomi pode ser impactada por não fabricar no país, enquanto Apple, Samsung, Motorola, Jovi, Realme e Oppo não seriam afetadas, segundo o governo.

Impacto sobre tarifas e contas públicas

O reajuste, já decidido pelo governo, “pode elevar as tarifas em até 7,2 pontos percentuais”, atingindo setores sensíveis a compras no exterior, com parte dos novos percentuais já em vigor e o restante valendo a partir de março.

O governo também calcula efeito fiscal, apontando que a alta “poderá reforçar o caixa federal em R$ 14 bilhões por ano, ajudando o governo a cumprir a meta fiscal de 2026: superávit primário de R$ 34,3 bilhões, com tolerância para resultado zero e superávit de R$ 68,6 bilhões.”

O próprio texto da medida prevê revisões pelo MDIC, o que permite ajustes se houver necessidade de mitigação de custos para certos setores.

Reações, críticas e pontos de equilíbrio

A iniciativa gerou críticas da oposição e de entidades empresariais, que alertam para aumento de custos e possível repasse a preços ao consumidor, enquanto o governo defende que a ação corrige distorções e fortalece a indústria instalada no país.

O governo também garantiu que permanecerá a tarifa zero para componentes importados que não tenham produção similar no Brasil, medida considerada estratégica para evitar encarecimento da indústria local, o que busca preservar cadeias produtivas que dependem de insumos externos.

Na prática, a medida mistura objetivos industriais e fiscais, com a promessa de revisibilidade, e deverá ser acompanhada de perto por setores que importam insumos e por consumidores interessados em possíveis efeitos sobre preços.