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Indústria Alerta: Custo de Matéria-Prima Supera Juros Altos em Preocupações, Guerra no Oriente Médio Impacta Preços

Custo de matéria-prima se torna maior preocupação da indústria, superando juros altos e impactado por conflitos globais.

A indústria brasileira registrou um avanço em sua produção e utilização de capacidade instalada em março de 2026. No entanto, o cenário positivo é ofuscado por crescentes temores relacionados ao alto custo e à escassez de matérias-primas, um problema que ascendeu para a segunda posição no ranking de preocupações dos empresários, ultrapassando até mesmo a taxa de juros.

A Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que a falta ou o preço elevado dos insumos agora aflige mais os empresários do que os juros elevados. Essa mudança de prioridade reflete um cenário de instabilidade global, com conflitos como o do Oriente Médio exercendo pressão sobre os custos de commodities essenciais, como o petróleo.

O aumento no custo das matérias-primas está diretamente ligado à disparada de seus preços médios, que atingiram o maior patamar desde meados de 2022. Essa situação, combinada com os juros altos, compromete o fôlego financeiro das empresas e afeta a intenção de investimento no setor, que vem em queda.

Produção e Capacidade Instalada em Alta, Mas Insumos Preocupam

O índice de evolução da produção industrial apresentou um crescimento significativo de 8,3 pontos entre fevereiro e março de 2026, passando de 45,4 para 53,7 pontos. A utilização da capacidade instalada (UCI) também avançou, saindo de 66% para 69%, um nível acima da média histórica para o mês de março. Apesar desses indicadores positivos, a preocupação com o custo de matéria-prima é palpável.

O índice de preço médio das matérias-primas disparou 10,8 pontos no primeiro trimestre de 2026, atingindo 66,1 pontos. Este é o maior valor registrado desde o segundo trimestre de 2022, período em que o comércio global ainda se recuperava dos impactos da pandemia. A CNI destaca que o conflito no Oriente Médio é um fator chave para essa escalada de preços.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, avalia que a maior preocupação com matérias-primas é um reflexo direto da guerra no Oriente Médio, que eleva os custos de petróleo e outros insumos vitais. Segundo ele, essa situação, somada aos juros altos, impacta diretamente a saúde financeira das empresas.

Juros Altos Recuam no Ranking, Mas Ainda Representam Desafio

Os juros altos, antes a segunda maior preocupação da indústria, agora ocupam a terceira posição no ranking, ultrapassados pelo custo das matérias-primas. No entanto, a relevância desse problema não diminuiu drasticamente. O percentual de empresários que apontam os juros como entrave caiu de 28% para 27,2%, uma variação pequena que demonstra a persistência da preocupação.

Apesar da ascensão do custo de matéria-prima, a taxa de juros continua sendo um fator limitante para o investimento. O índice de intenção de investimento do setor industrial caiu pelo quarto mês consecutivo em abril, recuando 1,1 ponto, para 53,7 pontos. O cenário externo incerto e os juros elevados são apontados como os principais motivos para essa retração.

Expectativas para o Futuro: Demanda em Alta, Investimento Contido

As expectativas dos empresários para os próximos meses melhoraram em abril, impulsionadas pelos resultados positivos na produção e utilização da capacidade em março. Os índices de expectativa de demanda por produtos industriais, compra de insumos e matérias-primas, e quantidade exportada apresentaram crescimento.

A expectativa de demanda subiu 0,6 ponto, alcançando 53,9 pontos. A expectativa de compra de insumos e matérias-primas aumentou 0,5 ponto, chegando a 52,5 pontos. Já a expectativa de exportação cresceu 0,9 ponto, atingindo 50,9 pontos. Em contrapartida, a expectativa de número de empregados recuou ligeiramente, indicando uma previsão de estabilidade no mercado de trabalho.

Em resumo, os industriais projetam um aumento na demanda e nas exportações, mas a cautela com os investimentos persiste. O cenário de custo de matéria-prima elevado e juros ainda altos, somado à incerteza global, sugere um período de ajustes e otimismo moderado para a indústria brasileira.