A produção industrial manteve-se em queda em fevereiro, embora o ritmo de retração tenha apresentado leve desaceleração frente a janeiro.
Empresas relatam demanda fraca, competição acirrada, desafios no setor automotivo e pressões de custo que dificultam a recuperação no curto prazo.
Os dados apontam ainda redução nas encomendas internacionais e aumento de despesas operacionais, conforme informação divulgada pela Reuters.
O panorama geral e o indicador PMI
Segundo a pesquisa, o setor industrial brasileiro registrou retração em fevereiro pelo 10º mês seguido, ainda que em um ritmo ligeiramente mais fraco, mas com a menor entrada de novos negócios em cinco meses, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras nesta segunda-feira.
Em números, o PMI, compilado pela S&P Global, avançou a 47,3 em fevereiro, de 47,0 em janeiro, mas permanecendo abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração registrada desde maio de 2025, mostrando uma sólida deterioração do setor.
Setores, encomendas e mercados externos
O desempenho foi heterogêneo entre os segmentos industriais, com destaque negativo para bens de capital e bens intermediários.
Conforme a pesquisa, o segmento de bens de capital teve o pior desempenho no mês, e os produtores de bens intermediários apontaram forte deterioração. No entanto, as condições operacionais se estabilizaram entre os fabricantes de bens de consumo.
As exportações seguem pressionadas, as encomendas internacionais continuaram em trajetória de queda, recuando pelo 11º mês consecutivo. Os participantes da pesquisa relataram especialmente vendas menores para a Argentina, Europa e Estados Unidos.
Emprego, confiança e efeitos da Copa do Mundo
Apesar do ambiente negativo, houve sinais pontuais de ajuste nas equipes e alguma expectativa de reação da demanda.
O levantamento mostra que ainda assim houve um aumento marginal no emprego em fevereiro, quando equipes reduzidas levaram alguns produtores a anunciar novas vagas, em meio à expectativa de aprovação de contratos pendentes e de que a Copa do Mundo este ano dará impulso à demanda.
O otimismo no setor segue positivo, mas recuou ao menor nível em dez meses, diante de preocupações com concorrência e políticas públicas.
Pressões de custos e repasse de preços
As empresas vêm sofrendo com custos de insumos e aumento dos preços de produção, afetadas por fatores externos e de mercado.
Conforme divulgado, em relação às pressões inflacionárias, tanto os custos de insumo quanto os preços de produção avançaram. As empresas relataram o aumento mais rápido das despesas operacionais em sete meses, com tensões geopolíticas, especulação no mercado acionário e taxas de câmbio desfavoráveis pesando sobre os preços de componentes eletrônicos, alimentos, metais e plásticos.
Além disso, os preços cobrados pelos produtos brasileiros também subiram no ritmo mais intenso desde julho de 2025, com repasse dos custos aos clientes, pressionando margens e a dinâmica de vendas.
O cenário descrito pela pesquisa da S&P Global indica que a recuperação da Indústria no Brasil ainda enfrenta entraves importantes, entre eles demanda fraca, custos em alta e mercados externos desacelerados, riscos que podem postergar a retomada sustentável da atividade.