Inflação na Argentina desacelera pela primeira vez em 11 meses, aliviando pressões sobre Milei
A Argentina registrou um alívio na inflação em abril, com a taxa de aumento de preços ao consumidor caindo para 2,6%. Este é o menor índice mensal em 11 meses, representando uma vitória inicial para o presidente Javier Milei em sua batalha contra a escalada de preços que tem corroído o poder de compra da população.
A desaceleração ocorre após um período de aumentos significativos, impulsionados em parte por choques externos como a guerra no Irã e ajustes internos de preços, como os relacionados ao início do ano letivo. A expectativa é que essa tendência positiva continue, embora desafios persistam.
Conforme dados divulgados pela agência de estatísticas Indec, a inflação acumulada em 12 meses recuou marginalmente para 32,4%, ante 32,6% registrados anteriormente. O setor de transporte, especialmente os combustíveis, liderou as altas em abril, seguido pela educação, indicando os setores que mais sentiram o impacto dos reajustes.
Cenário Econômico e Medidas Governamentais
O Ministro da Economia, Luis Caputo, já havia sinalizado a expectativa de uma desaceleração em abril, prevendo que os “melhores meses” para a economia argentina viriam a partir de junho. Ele atribuiu parte das dificuldades econômicas recentes às eleições de meio de mandato do ano passado, que teriam prejudicado o crescimento.
Em meio a um cenário de escândalos de corrupção e uma recuperação econômica ainda desigual, a popularidade de Milei tem enfrentado quedas. A desaceleração da inflação pode ser um fator crucial para reverter essa tendência e restaurar a confiança pública.
Estratégias para Controlar os Preços
O governo argentino tem implementado diversas medidas para conter o avanço dos preços, especialmente no setor de combustíveis. A estatal YPF, principal player do mercado, comprometeu-se a manter os preços congelados até meados de maio.
Adicionalmente, o Ministério da Economia suspendeu um aumento de impostos sobre combustíveis previsto para abril. Outra ação importante foi a interrupção do plano de transferir tarifas de importação de gás natural liquefeito da estatal Enarsa para o setor privado, com o governo subsidiando importações para residências, escolas e hospitais durante o inverno austral.
Perspectivas e Avaliação do FMI
Economistas consultados pelo Banco Central da Argentina projetam uma inflação de 30,5% para o final de 2026, uma revisão para cima em relação à estimativa anterior. O crescimento econômico previsto para o mesmo período foi ajustado para baixo, de 3,3% para 2,8%.
Em um desenvolvimento paralelo importante, a porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI), Julie Kozack, anunciou que o conselho executivo do organismo votará na próxima semana a segunda revisão do programa de US$ 20 bilhões da Argentina. Essa avaliação pode resultar na liberação de mais US$ 1 bilhão para o país, demonstrando o apoio internacional às políticas econômicas em curso.
O Caminho à Frente
A desaceleração da inflação em abril é um sinal encorajador para o governo de Javier Milei, mas a persistência de altas em setores específicos e as projeções econômicas futuras indicam que a jornada para estabilizar a economia argentina ainda será desafiadora. As medidas adotadas e o apoio do FMI serão cruciais para navegar neste cenário complexo e buscar uma recuperação sustentável.