Inflação acima do previsto e o “choque de frete” no varejo: veja destaques da semana
O cenário econômico brasileiro apresenta novos desafios com a inflação mostrando sinais de aceleração, impulsionada principalmente pela alta nos preços do petróleo e suas consequências diretas nos custos de transporte. A XP Investimentos revisou para cima suas projeções para o IPCA em 2026, refletindo um ambiente de maior pressão inflacionária.
Essa revisão, motivada em grande parte pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, sinaliza efeitos duradouros que afetam desde combustíveis até bens industrializados. O setor de varejo, em particular, encontra-se sob forte pressão devido ao chamado “choque de frete”.
O aumento nos custos de logística e transporte ameaça as margens das empresas e o poder de compra dos consumidores. Analistas alertam que essa conjuntura pode prolongar o ciclo de juros elevados, impactando negativamente o desempenho do varejo. Conforme informação divulgada pela XP Investimentos, o choque de frete é visto como um risco persistente.
Impacto Direto no Varejo Brasileiro
O relatório “Carrinho XP” destaca o atual “choque de frete” como um ponto de atenção crucial para o setor de varejo no Brasil. A pressão se manifesta de duas formas principais: o aumento direto nos custos de logística e transporte, decorrente da elevação contínua no preço do diesel em toda a cadeia de suprimentos, e um efeito indireto onde a inflação dos combustíveis retroalimenta a inflação geral.
Essa combinação de fatores representa um duplo golpe para as varejistas. Por um lado, as despesas operacionais aumentam significativamente. Por outro, o poder de compra do consumidor é corroído, levando a uma possível retração na demanda por bens e serviços.
A XP classifica esse choque de frete como um risco persistente, e não apenas um evento pontual. Isso implica que os impactos sobre as margens de lucro e a demanda do consumidor podem se estender por um período considerável, exigindo estratégias de adaptação por parte das empresas do setor.
Revisão de Projeções Inflacionárias e Cautela nas Carteiras
Em meio a esse cenário, a XP Investimentos ajustou suas estimativas para a inflação. A projeção para o IPCA em 2026 foi elevada de 3,8% para 4,8%. Esse ajuste é justificado, em grande parte, pela disparada nos preços do petróleo, cujas cotações permanecem elevadas devido às tensões no Oriente Médio.
A equipe econômica da XP avalia que o choque de oferta decorrente dessas tensões terá efeitos duradouros. Isso se traduz em reflexos diretos nos preços de combustíveis, bens industrializados e passagens aéreas. A revisão poderia ter sido ainda mais expressiva, não fossem as premissas de um câmbio médio ligeiramente mais apreciado.
Em resposta ao ambiente macroeconômico desafiador, a XP promoveu ajustes táticos em suas carteiras de alocação para abril. O objetivo é preservar os benefícios da diversificação e otimizar a relação risco-retorno no curto e médio prazos. Uma das principais alterações foi a redução de 2,5 pontos percentuais na exposição a fundos multimercados em todas as políticas de investimento, refletindo uma postura mais cautelosa.
Temporada de Resultados Fraca e Eventos para Investidores
A temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 na Bolsa brasileira apresentou um desempenho abaixo das expectativas. A XP Investimentos reportou que apenas 44% das empresas cobertas pela corretora superaram as estimativas de lucro líquido, e somente 28% atingiram as projeções de receita. Estes percentuais são inferiores aos trimestres anteriores.
Na comparação anual, as companhias registraram um crescimento de receita de 5,5%, mas o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 2,7%, pressionado especialmente pelos setores cíclicos domésticos. Esse desempenho fraco consolida o período como o mais decepcionante desde o início da série histórica acompanhada pela XP.
Em paralelo, a XP Investimentos realizará a Semana da Renda Fixa entre os dias 13 e 15 de abril. O evento contará com a participação de especialistas para debater as perspectivas dos principais ativos de renda fixa no Brasil e no exterior. As transmissões ao vivo pelo canal da XP no YouTube abordarão análises sobre os investimentos mais indicados para o cenário atual de juros elevados e inflação em trajetória de alta.
Recomendações de Ações e Fundos Imobiliários
A XP Investimentos também divulgou atualizações sobre recomendações específicas. Para a RD Saúde (RADL3), a corretora elevou o preço-alvo para R$ 32,00 ao final de 2026 e reiterou a recomendação de compra. As revisões incorporam a venda da 4Bio e premissas mais favoráveis de crescimento no segmento de varejo farmacêutico.
A XP considera que o desempenho recente das ações da RD Saúde tem sido abaixo do esperado devido a preocupações que a casa julga injustificadas, especialmente em relação à dinâmica dos medicamentos GLP-1 no portfólio da companhia. A visão da equipe é de que o papel oferece uma assimetria positiva para o investidor.
Adicionalmente, a XP reiterou a recomendação de compra para o Mauá Capital Recebíveis Imobiliários (MCCI11), um fundo de investimento imobiliário focado em crédito. Os pontos fortes destacados incluem uma equipe de gestão qualificada, uma carteira de crédito com garantias robustas em imóveis performados e bem localizados, e a reciclagem contínua de ativos a taxas mais elevadas. O fundo apresenta rentabilidade implícita de IPCA + 9,0% ao ano e dividend yield anualizado de 12,5%, considerados atraentes pela XP dentro do universo de fundos de recebíveis imobiliários.