O mercado financeiro revisou para baixo estimativas chave para os próximos anos, com reduções em projeções de inflação e juros e ajustes na cotação do dólar.
As expectativas para 2026 mostram menor pressão inflacionária e uma leve queda na taxa básica de juros futura, ao mesmo tempo em que o PIB ganhou pequena alta.
As informações constam no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 23, conforme informação divulgada pelo Boletim Focus.
Inflação nominal e índices gerais
Para 2026, a projeção do IPCA caiu de 3,95% para 3,91%, na sétima semana consecutiva de recuo. Para 2027, a estimativa permaneceu em 3,80% pela 16ª semana seguida. Em 2028, a projeção também seguiu estável em 3,50% há 16 semanas. Para 2029, a mediana se manteve em 3,50%, patamar inalterado há 25 semanas.
No caso do IGP-M, a expectativa para 2026 recuou de 3,86% para 3,71%, terceira queda consecutiva. Para 2027, a projeção permaneceu em 4,00%. Em 2028, houve leve baixa de 3,85% para 3,83%, após um período de estabilidade, enquanto para 2029 a estimativa caiu de 3,76% para 3,73%.
Sobre os preços controlados pelo poder público e contratos corrigidos por tarifas, os preços administrados devem subir 3,67% em 2026, abaixo dos 3,76% projetados há quatro semanas. Para 2027, a projeção avançou levemente de 3,71% para 3,72%. Em 2028 e 2029, as estimativas permanecem em 3,50%, estáveis há 13 e 32 semanas, respectivamente.
Juros, Selic e expectativas de longo prazo
A trajetória projetada para a taxa básica, refletida nas expectativas do mercado, apresentou queda no horizonte imediato. A projeção para a taxa Selic ao fim de 2026 recuou de 12,25% para 12,13%. Para 2027, a estimativa foi mantida em 10,50% pela 54ª semana consecutiva. Em 2028, a projeção seguiu em 10,00%, estável há cinco semanas. Para 2029, a mediana permaneceu em 9,50%, patamar mantido há 17 semanas.
Essas revisões indicam que analistas esperam um ciclo de juros ainda alto em 2026, porém com ligeira redução frente às projeções anteriores, o que pode influenciar crédito e investimentos ao longo do ano.
Dólar, PIB e impacto nas projeções
No câmbio, houve recuo das estimativas para o fim de 2026, o que acompanha a revisão moderada nas pressões de preços. A estimativa para o dólar ao fim de 2026 caiu de R$ 5,50 para R$ 5,45. Para 2027, a projeção permaneceu em R$ 5,50 pela terceira semana seguida. Em 2028, a estimativa seguiu em R$ 5,50, estável há duas semanas. Já para 2029, houve leve alta de R$ 5,51 para R$ 5,52.
Quanto ao crescimento, a projeção para o crescimento do PIB em 2026 subiu de 1,80% para 1,82%, primeira alta após semanas de estabilidade. Para 2027, a estimativa ficou em 1,80% pela oitava semana consecutiva. Em 2028, a mediana permaneceu em 2,00%, estável há 102 semanas. Para 2029, a expectativa também seguiu em 2,00%, patamar mantido há 49 semanas.
O que muda para empresas e consumidores
Com a queda nas projeções de inflação e de Selic para 2026, empresas podem encontrar ambiente levemente mais favorável para planejamento financeiro, porém com custo de crédito ainda elevado.
Para consumidores, a redução esperada da inflação e a estabilidade do dólar em patamar menor podem aliviar a pressão sobre preços e sobre produtos importados, mas os efeitos dependerão de política econômica e choques futuros.
Os números citados são equivalentes aos divulgados no Boletim Focus, e devem orientar decisões de mercado e análises de risco nas próximas semanas.