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IR 2026: Malha Fina por Divergências na Pré-Preenchida? Saiba o Que Fazer e Como Corrigir Erros de Empresas

Caiu na Malha Fina do Imposto de Renda 2026 por Divergências na Pré-Preenchida? Veja o Que Fazer e Como Resolver

Contribuintes que já enviaram suas declarações do Imposto de Renda 2026 estão se deparando com um cenário incômodo: falhas nos dados importados automaticamente na pré-preenchida e inconsistências em envios por parte de empresas, instituições financeiras e prestadores de serviços de saúde estão levando um volume relevante de declarações para a malha fina.

Entidades do setor contábil relatam que, logo nos primeiros dias de entrega, algo como 2 em cada 10 contribuintes identificaram erros na pré-preenchida. Paralelamente, a Receita Federal reconhece que o percentual de declarações retidas começou o período “um pouco acima do normal”. Segundo José Carlos Fonseca, auditor responsável pelo Imposto de Renda da pessoa física, quase 15% das declarações iniciais foram parar na malha.

A situação começou a ser revertida à medida que as empresas passaram a corrigir os dados enviados pelo eSocial e pela EFD-Reinf – os sistemas que substituíram a antiga DIRF no fornecimento de informações à Receita. Conforme José Carlos Fonseca, auditor da Receita Federal, o percentual de declarações retidas na malha fina já voltou ao normal, caindo de quase 15% para menos de 8% após correções das empresas.

Entenda as Causas das Divergências na Declaração do IR 2026

O ano-calendário de 2025 marcou o fim da DIRF para rendimentos do trabalho e o início de uma nova lógica: as informações que antes eram consolidadas em uma declaração anual passaram a chegar à Receita de forma fragmentada, mês a mês, via eSocial e EFD-Reinf. Isso aumentou a chance de qualquer erro de parametrização, classificação ou omissão na origem se refletir diretamente na declaração pré-preenchida.

A Receita Federal afirma não ter identificado falhas internas na montagem da declaração pré-preenchida. Segundo José Carlos Fonseca, auditor responsável pelo Imposto de Renda da pessoa física, a enorme maioria das divergências vem de informações enviadas de forma incorreta pelas empresas. Entre os problemas mais frequentes estão rubricas de folha de pagamento parametrizadas de forma errada no eSocial e duplicidade de informações entre eSocial e EFD-Reinf.

Outro ponto que gerou ruído nesta temporada foram criptoativos aparecendo em “Bens e Direitos” para contribuintes que alegavam não ter cripto. Em muitos casos, tratava-se de pacotes de serviços de instituições financeiras que incluíam pequenas quantias em cripto, informadas à Receita pelas plataformas. A Receita esclarece que não filtra o conteúdo, se a informação chega errada, ela será exibida errada.

O Que Fazer se Sua Declaração Cair na Malha Fina

A recomendação inicial da Receita para os contribuintes é ter paciência. Caso você já tenha solicitado à empresa empregadora, instituição financeira, clínica médica ou profissional da saúde a correção de uma informação, o Fisco pede um período de até dez dias para que a informação esteja consolidada nos bancos de dados da Receita e possa aparecer na pré-preenchida. Se isso não ocorrer, medidas devem ser tomadas.

Priorize sempre os documentos oficiais, como informes de rendimentos de empregadores, bancos, corretoras e seguradoras, recibos de despesas médicas e educacionais, comprovantes de planos de saúde e informes de investimentos. Se a pré-preenchida divergir do comprovante, vale o comprovante. Revise com lupa os campos sensíveis, como rendimentos tributáveis e isentos, deduções e movimentações de investimentos.

Se a declaração já foi enviada e você identificou um erro, faça uma declaração retificadora usando o mesmo canal da entrega original. A retificadora substitui integralmente a versão anterior. Corrija todas as informações que estiverem em desacordo com os documentos oficiais, mesmo que a divergência tenha sido “puxada” da pré-preenchida.

Orientações para Empresas Evitarem Erros no Envio de Dados

Para as empresas, José Antonio de Sousa, auditor da Receita Federal de São Paulo, destaca a importância de rever a parametrização de rubricas no eSocial, conferir incidências para INSS, FGTS, IRRF e PIS/Pasep, e dar atenção especial a adiantamentos de 13º e férias, e verbas indenizatórias x tributáveis. É fundamental lembrar que a correção de rubrica sozinha não resolve.

Após ajustar a rubrica, é obrigatório reenviar o evento S-1210, que é o que efetivamente alimenta o IRPF, a pré-preenchida e o e-CAC. O monitoramento do evento 5002 é crucial, pois ele é o espelho do que de fato a Receita está recebendo por trabalhador. Evitar duplicidade entre eSocial e EFD-Reinf, especialmente em planos de saúde, é outra orientação importante.

Tratar corretamente lucros, dividendos e valores a sócios/titulares de ME/EPP é essencial. Para lucros e dividendos “normais”, é preciso usar código 12001 na EFD-Reinf. Já para o valor pago ao titular/sócio de microempresa ou empresa de pequeno porte, deve-se usar a natureza/código específicos e informar na parte de rendimentos isentos. Entender o prazo de processamento das retificações em eSocial/Reinf, que pode levar até uma semana, também é vital.

Consequências de Ignorar Divergências na Declaração de Imposto de Renda

Ignorar divergências de dados na declaração não é uma opção. Erros não corrigidos podem atrasar significativamente a restituição, gerar cobrança de imposto, multa de até 20% e juros, além de levar o CPF a ficar com status irregular, com impactos em crédito, concursos, financiamentos e outros serviços.

A declaração pode ser entregue pelo programa para computador ou pela plataforma online “Meu Imposto de Renda”, no site ou aplicativo da Receita, todos com acesso à versão pré-preenchida. Em 2026, cerca de 60% das declarações apresentadas até agora já usaram esse recurso. A tecnologia agiliza e reduz digitação, mas também amplifica o alcance de qualquer erro na origem. Um dado mal parametrizado na folha, um envio duplicado na Reinf ou uma falha de classificação de lucros e dividendos podem se espalhar automaticamente para milhões de declarações.

Por isso, o Fisco tem reforçado o pedido neste ano para que o contribuinte confie menos nos dados pré-preenchidos e revise com mais cautela, garantindo a precisão das informações e evitando cair na malha fina do Imposto de Renda 2026.