Irã lança contra-ataques em diversos países do Oriente Médio, atingindo bases americanas e aliados e ampliando o risco de um conflito regional mais abrangente
O Irã desencadeou uma série de ataques com mísseis contra interesses e parceiros dos Estados Unidos em vários países do Oriente Médio, em resposta a uma ofensiva coordenada de EUA e Israel, deixando a região em alerta.
Defesas aéreas interceptaram parte dos projéteis, mas houve relatos de danos em áreas residenciais em Abu Dhabi e impactos em cidades de Israel, além do fechamento de espaços aéreos e rotas marítimas.
As informações iniciais apontam para ofensivas contra bases como Al Udeid, Al Dhafra e Ali Al Salem, e contra o quartel-general da 5ª Frota no Bahrein, conforme informação divulgada pela agência semioficial Fars e por agências locais.
Alvos declarados e alcance dos ataques
A agência semioficial iraniana Fars informou que mísseis iranianos tiveram como alvo instalações militares dos EUA, incluindo a base aérea de Al Udeid, no Catar, a base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, a base aérea de Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos, e o quartel-general da 5ª Frota da Marinha americana, no Bahrein.
O Irã também atingiu alvos em Israel, Jordânia e Arábia Saudita neste sábado, com sirenes soando em todo o território israelense e relatos de impactos em áreas como Tirat Carmel, Jerusalém, Beit Shemesh e outras localidades.
Especialistas lembram que, em conflito anterior, o Irã lançou quase 600 mísseis contra Israel, e que, naquele episódio, forças americanas atacaram três instalações nucleares iranianas, ponto que ressalta a escalada entre as capacidades ofensivas e defensivas na região.
Impacto civil, interceptações e rotas estratégicas
As defesas aéreas dos Emirados, do Catar, da Jordânia e da Arábia Saudita interceptaram várias ondas de mísseis, mas houve consequências diretas. Em Abu Dhabi, destroços caíram em um bairro residencial, matando uma pessoa e causando danos materiais.
Em Israel, segundo o serviço de emergência Magen David Adom, não há registro de mortos, além de pessoas feridas enquanto se deslocavam para abrigos, e foram relatadas lesões leves em algumas cidades.
O Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o transporte marítimo global, foi descrito por fontes ligadas à Guarda Revolucionária como praticamente fechado, risco que afeta o escoamento de energia, já que cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados por via marítima passam pelo estreito.
Milícias pró-Irã e potencial de expansão do conflito
Teerã mantém influência por meio do que chama de “Eixo da Resistência”, incluindo grupos como os houthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano, que podem ampliar ataques contra forças americanas e aliados regionais.
Após episódios de ataques a redutos pró-Irã, o grupo Kataib Hezbollah, no Iraque, anunciou que irá retaliar, com um líder dizendo que “Em breve começaremos a atacar bases americanas em resposta à agressão deles”, e o Hezbollah condenou ataques de EUA e Israel ao Irã, sem indicar ação direta imediata.
Analistas alertam que a capacidade desses grupos, mesmo enfraquecida, pode transformar uma onda de ataques em um conflito mais amplo, envolvendo múltiplos frontes e aumentando o risco para civis e infraestrutura.
Reações, avaliações e cenário adiante
Especialistas citados destacam a estratégia iraniana de impor custos a aliados dos EUA, e Dana Stroul alerta que, na avaliação dela, “Os iranianos estão respondendo espalhando a dor pela região e tentando impor custos a aliados e parceiros dos EUA que abrigam forças e bases americanas”.
Outros analistas, como Ali Vaez do International Crisis Group, afirmam que “A política do Irã aqui é de resistência”, e acrescentam que, “Se isso virar uma guerra de atrito, EUA e Israel têm mais chance de piscar primeiro do que o Irã”.
O fechamento temporário de espaços aéreos, a suspensão de voos por companhias como Qatar Airways e Emirates e relatos de interceptações mostram que a resposta iraniana foi ampla, ainda que, nas primeiras horas, tenha ficado abaixo da intensidade que muitos analistas temiam.
O cenário se mantém volátil, com riscos de novos ataques por milícias aliadas e movimentações militares na região, e monitoramento atento por parte de governos e operadores logísticos, enquanto a população enfrenta cortes de rotas aéreas e marítimas, e autoridades avaliam próximos passos.