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Juro Alto é Veneno para Empresas: Crédito Privado Vira Refúgio e Oliveira Trust Anuncia Lucro Recorde de R$ 40,8 Milhões

Alta da Selic Impulsiona Mercado de Crédito Privado e Gera Recordes na Oliveira Trust

O cenário econômico atual, marcado pela taxa Selic em patamares elevados, tem levado empresas brasileiras a repensar suas estratégias de captação de recursos. Com o custo do dinheiro beirando os 20% a 22% ao ano, o foco principal se deslocou da expansão dos negócios para a própria sobrevivência e a renegociação de dívidas.

Nesse contexto, o crédito privado surge como uma alternativa, funcionando mais como um refúgio do que como um motor de investimentos. A busca por veículos fora do balanço patrimonial visa alongar o perfil da dívida e aliviar a pressão sobre o fluxo de caixa das companhias.

A análise é de José Alexandre Freitas, sócio e CEO da Oliveira Trust, que destaca a migração em massa para o crédito privado como uma estratégia para escapar das taxas mais altas cobradas pelo mercado tradicional. Conforme a Oliveira Trust, o mercado de capitais brasileiro bateu seu recorde histórico em 2025, com R$ 838,8 bilhões em ofertas públicas, impulsionado por essa movimentação corporativa.

Crédito Privado: Uma Saída Estratégica em Meio aos Juros Altos

Com a Selic em 15% ao ano, o custo do crédito para as empresas se torna proibitivo para a maioria dos investimentos produtivos. Freitas questiona a viabilidade de encontrar aplicações que rendam o suficiente para cobrir um custo de capital tão elevado. A solução encontrada por muitas companhias tem sido o mercado de crédito privado.

Essa migração tem um objetivo claro: aliviar o endividamento e melhorar a liquidez. A estratégia envolve a obtenção de recursos por meio de instrumentos como FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) e Notas Comerciais, que oferecem maior agilidade e isenção de IOF, respectivamente.

Segundo a Anbima, os FIDCs registraram captação recorde de R$ 90,8 bilhões em 2025, enquanto as Notas Comerciais cresceram 18,9%, captando R$ 51,8 bilhões. Esses números evidenciam a força do crédito privado como alternativa ao endividamento bancário.

Oliveira Trust Celebra Lucro Recorde Impulsionada por Tecnologia

A Oliveira Trust, plataforma de serviços fiduciários, se beneficiou diretamente desse movimento do mercado. A companhia registrou um lucro líquido recorde de R$ 40,8 milhões no quarto trimestre de 2025, um aumento de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume de escrituração da empresa também apresentou crescimento expressivo, saltando 37% e atingindo R$ 622 bilhões.

Esse desempenho robusto foi impulsionado, em parte, por um movimento atípico de emissão de títulos em setembro, antecipando uma possível mudança na isenção de impostos. O avanço de 58,5% em debêntures de securitização e a marca de mais de mil operações de FIDCs no ano reforçam a consolidação dessa migração corporativa.

O CEO da Oliveira Trust atribui o sucesso à forte aposta em tecnologia. Investimentos em automação, com a implementação de mais de 300 robôs e um sistema proprietário de processamento de recebíveis, permitiram otimizar processos e aumentar a eficiência. Isso resultou em um ganho de margem significativo, com o lucro subindo 33% no ano, enquanto o número de funcionários cresceu apenas 10%.

Alerta para o Futuro: Juro Alto é um Veneno que Exige Atenção

Apesar dos resultados positivos e da resiliência demonstrada pelas empresas em geral, o cenário de juros altos é visto com preocupação. Freitas adverte que o juro alto é um verdadeiro veneno para a economia e que a manutenção desse patamar pode levar a um aumento significativo nos pedidos de Recuperação Judicial no futuro.

A projeção da Oliveira Trust é que a Selic encerre 2026 em 13,5%. Embora ainda considerado um patamar elevado, essa redução representaria um alívio considerável para o mercado. A expectativa é que, com a queda gradual dos juros, o cenário para as empresas brasileiras possa se tornar mais favorável à expansão e ao investimento produtivo.

O risco de inadimplência corporativa, segundo o executivo, tem se mantido sob controle na maior parte da economia, com exceção do agronegócio, impactado por quebras de safra. Nos demais setores, as empresas têm conseguido rolar suas dívidas, evitando quebras generalizadas. No entanto, a sustentabilidade dessa situação depende de uma política monetária mais branda.