Lavrov acusa EUA de priorizar interesses próprios em detrimento de convenções internacionais, com foco em mercados de energia.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, fez fortes declarações nesta sexta-feira, acusando os Estados Unidos de desconsiderarem convenções diplomáticas internacionalmente reconhecidas. Segundo Lavrov, essa postura visa garantir os próprios interesses americanos, especialmente no que tange ao domínio dos mercados globais de energia.
Em entrevista à televisão estatal russa, Lavrov afirmou que as ações de Washington, em suas negociações com a América Latina e o Oriente Médio, representam um retrocesso ao direito internacional. Ele destacou que os EUA parecem estar operando em um cenário onde as regras internacionais não se aplicam a eles.
O chanceler russo citou exemplos como a Venezuela e o Irã, indicando que os Estados Unidos não escondem seu interesse em recursos naturais, como o petróleo, e que estão dispostos a usar meios como golpes, sequestros e até assassinatos de líderes para assegurar esse domínio. Essas declarações foram divulgadas no site do Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Conforme informação divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Lavrov afirmou que os EUA “se preocupam apenas com seu próprio bem-estar e estão prontos para defender esse bem-estar por qualquer meio”.
EUA sob Mira: A Doutrina de Dominação Energética
Lavrov detalhou a estratégia americana, mencionando a existência de uma “doutrina de dominação nos mercados globais de energia”. Ele exemplificou essa política ao citar a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar dos EUA em janeiro, e a morte do então líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, em ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel no final de fevereiro. Para o ministro russo, esses eventos demonstram a disposição americana em agir agressivamente para controlar recursos energéticos.
Europa Isolada e a Guerra na Ucrânia sob Ótica Russa
O ministro russo também comentou sobre a relação dos EUA com a Europa, alegando que Washington “isolou” o continente. Ele citou os pedidos americanos para que países europeus abandonassem o gasoduto Nord Stream, que transportava gás russo para a Alemanha, e o apoio a medidas da União Europeia para desencorajar a Hungria e a Eslováquia a comprarem gás russo. Lavrov classificou essa abordagem como um retorno à era colonial, e não como uma prática de relações internacionais.
Projetos Mutuamente Benéficos e Interesses Ignorados
Lavrov ainda abordou a questão da guerra na Ucrânia, indicando que mesmo em busca de um acordo, os Estados Unidos estariam promovendo os benefícios de “enormes oportunidades econômicas”. Ele concluiu sua análise afirmando que a Rússia está sendo “empurrada para fora de todos os mercados globais de energia”.
O ministro russo ressaltou que, embora a Rússia esteja disposta a realizar projetos mutuamente benéficos e fornecer o que interessa aos norte-americanos, seus próprios interesses não estão sendo respeitados. “Até agora, não estamos vendo isso”, declarou Lavrov, expressando frustração com a postura americana.