Mercado de seguros projeta alta de 5,7% em 2026 e arrecadação de R$ 808 bilhões, mas cenário exige cautela
A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) revisou suas projeções para o mercado de seguros em 2026, antecipando um crescimento de 5,7% na arrecadação, que deve alcançar a marca de R$ 808 bilhões. Apesar da expectativa de expansão, a estimativa foi ajustada para baixo em relação à projeção anterior de 8%.
Este cenário de crescimento moderado ocorre em um contexto macroeconômico desafiador, marcado por uma inflação prevista em 3,9%, crescimento do PIB em torno de 1,8% e uma taxa básica de juros (Selic) que deve permanecer acima de 12% ao ano. Esses fatores econômicos influenciam diretamente o ritmo de expansão do setor de seguros.
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destacou que a instabilidade no Oriente Médio é um ponto de atenção, pois pode afetar os preços do petróleo e a inflação, impactando a Selic e o PIB. “Como o setor de seguros é um reflexo direto da saúde da economia, qualquer redução na atividade econômica ou na renda das famílias acaba resultando em uma menor demanda por proteção”, afirmou em coletiva de imprensa.
Revisão de projeções e desempenho por segmento em 2026
A CNseg também ajustou para baixo a expectativa de alta para o ramo de danos e responsabilidades, que engloba seguros automotivos, patrimoniais e de riscos financeiros. A projeção de crescimento passou de 8,5% para 7,4% em 2026. O seguro automotivo, por exemplo, deve crescer 7,1%, impulsionado pelo aumento nas vendas de veículos, incluindo os híbridos e elétricos, além de programas de incentivo à renovação de frota.
No segmento habitacional, a expectativa é mais otimista, com um crescimento projetado de 12,8%. Este avanço é sustentado pela expansão do crédito imobiliário, o persistente déficit habitacional e o avanço de programas habitacionais públicos. Esses fatores demonstram um potencial de crescimento significativo para os seguros ligados à moradia.
Já os seguros de pessoas, excluindo a previdência privada, devem registrar uma alta de 7,4%, inferior à previsão anterior de 8,6%. Dentre eles, os seguros de vida (+11,7%) e de viagem (+12,2%) se destacam, mesmo em um cenário de maior endividamento das famílias, indicando uma busca contínua por proteção pessoal.
Retração em previdência e seguro rural, mas saúde suplementar se destaca
Por outro lado, a previdência aberta deve continuar em retraçao, com uma queda estimada de 4,4%. Isso reflete os impactos recentes de mudanças tributárias, especialmente a incidência de IOF sobre planos VGBL, que diminuiu consideravelmente a captação do segmento. A CNseg aponta que a previdência aberta é um ponto de atenção para o setor.
Os segmentos de seguro rural e de riscos de engenharia também devem apresentar retrações. Para o seguro rural, a projeção é de queda de 3,9% em 2026, após um desempenho negativo no ano anterior. A CNseg atribui essa queda à maior percepção de risco climático e a restrições orçamentárias, além da limitação na subvenção ao prêmio, que impacta a expansão da base segurada e a demanda por cobertura no campo.
Em contrapartida, o segmento de saúde suplementar se mantém como um dos principais vetores de expansão, com crescimento projetado de 9% na arrecadação em 2026. A expectativa é de um leve aumento na base de beneficiários e uma estabilização da sinistralidade em torno de 80%, embora os custos médico-hospitalares continuem pressionando o setor e avançando acima da inflação.
A CNseg monitora esses indicadores para entender a dinâmica do mercado de seguros e antecipar os desafios e oportunidades para os próximos anos, buscando sempre equilibrar a proteção oferecida aos segurados com a sustentabilidade do setor.