Especialista alerta para “novo realismo” geopolítico com 65 conflitos ativos e sugere estratégias de investimento
O mundo atravessa uma fase de **risco estruturalmente mais elevado no cenário geopolítico**, marcando o fim de um longo período de estabilidade e globalização. Essa é a visão de Thomas Mucha, estrategista geopolítico da Wellington Management, que aponta para um cenário de **”novo realismo”**.
Em um painel durante o XP Global Conference 2026, Mucha destacou que a **interrupção da globalização** e a **priorização da segurança nacional** por parte dos países moldam o atual panorama. A política internacional se torna, assim, a **variável mais relevante** na precificação de ativos e na redefinição de alianças e cadeias produtivas.
Com mais de 65 conflitos ativos globalmente, incluindo agressões armadas e tentativas de golpes, a **escassez de recursos e as migrações climáticas** devem intensificar tensões, especialmente na chamada “Zona de Calor”, próxima ao Equador. Conforme informação divulgada pela Wellington Management, o Irã, Afeganistão, e partes da China e de Taiwan se encontram nessa região de risco.
A rivalidade EUA-China e a “Armadilha de Tucídides”
A **rivalidade entre Estados Unidos e China** é apontada como um fator-chave para as próximas décadas. Mucha explica que o crescimento econômico chinês naturalmente impulsiona sua **expansão diplomática e militar**, o que pode ser interpretado sob o conceito da “Armadilha de Tucídides”, que descreve a tendência de conflito quando uma potência emergente desafia uma estabelecida.
Conflitos regionais e o impacto no preço do combustível
Conflitos regionais, como a tensão no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos e Irã, são vistos dentro desse contexto de desestabilização. Segundo Mucha, o objetivo das potências é **degradar a capacidade de segurança do Irã** e garantir a **normalização de rotas estratégicas**. A duração desses conflitos tem um **impacto direto nos preços de energia**, especialmente do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL).
O especialista enfatiza que a **”durabilidade” dos conflitos no Oriente Médio é o principal motor da pressão inflacionária global**, afetando diretamente a economia e a política interna dos países. A volatilidade nos preços do combustível, por exemplo, pode influenciar o apoio governamental e os resultados eleitorais.
Estratégias de Investimento em Tempos de Incerteza
Diante deste cenário de **”novo realismo” geopolítico**, Mucha recomenda uma **recalibração dos portfólios de investimento**. Estratégias ativas, **diversificação global** e foco em temas de longo prazo, como **inovação em defesa e estratégias climáticas**, são essenciais.
A análise de investimentos deve ser **granular**, considerando países e setores individualmente, pois haverá **vencedores e perdedores** em um ambiente mais disperso e disruptivo. A complexidade adicional para a política monetária, como a do Federal Reserve (Fed), devido à inflação e à duração dos conflitos, também é um ponto de atenção para investidores.